Filtros na fotografia digital – Parte 2

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 2

Polarizador Circular

 

Antes de falar sobre o filtro polarizador, é importante uma breve introdução sobre a luz no domínio da física, para melhor compreender a utilização deste filtro.

A luz é constituída na sua essência por partículas elementares designadas fotões, que se propagam no espaço sob a forma de ondas electromagnéticas. Como radiação electromagnética, a luz tem três propriedades físicas básicas, sendo elas a amplitude (brilho), frequência (côr) e polarização (ângulo de vibração). A polarização da luz ocorre quando esta radiação, que se propaga no espaço tridimensionalmente (em todas as direcções), ao incidir numa superfície plana, se propaga em apenas um plano, devendo-se este efeito à capacidade refractora entre materiais diferentes – atmosfera e água, por exemplo.

O filtro polarizador tem a capacidade de deixar atravessar toda a luz tridimensional “pura” que oscila no espaço, mas atenuar selectivamente a luz polarizada que oscila entre planos do filtro. O filtro polarizador circular roda entre 2 anéis, alternando os planos onde atravessa luz, possibilitando o controle do efeito. Assim, rodando o anel para um plano diferente ao da luz polarizada, essa mesma luz será cortada/atenuada, sendo aplicado o princípio do ângulo de Brewster. O efeito do polarizador é potenciado em fotografia exterior com luz do Sol, fotografando a 90º do mesmo, ou seja, com o Sol à nossa direita ou esquerda (ângulos em que a luz é mais polarizada).

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. O uso de filtro polarizador num ângulo de 90º com o Sol potenciou a saturação natural de cores da paisagem

Em termos práticos, os efeitos do filtro polarizador traduzem-se no forte escurecimento do céu (onde este já é mais escuro, o céu é uma fonte de luz polarizada), controle ou eliminação de reflexos em superfícies como água e vidro, aumento de saturação e contraste aparente constituindo cores mais vivas e intensas.

Sempre que a água está presente, fotografando cascatas, em floresta, ou simplesmente uma folha, o uso do filtro polarizador, ao atenuar reflexos, transforma completamente as cores da fotografia. Mas à semelhança de qualquer outro filtro, a sua aplicação e o efeito estético que proporciona é uma decisão do fotógrafo.

Sanguine Water
Parque Nacional Peneda-Gerês, Portugal. Para obter esta imagem, foi utilizado o filtro polarizador de forma a minimizar o brilho da rocha que reflecte muita luz na película de água

Considerações sobre estes filtros:

  • Alteram a exposição diminuindo a quantidade de luz em média de 1 a 1,5 EV;
  • Podem interferir com a leitura de exposição (exposímetro da máquina fotográfica);
  • Quando usados em objectivas ultra grande-angular, testar o efeito de vinhetagem;
  • Não devem ser utilizados em fotografia de retrato – pele sem reflexos em tons tipo veludo;
  • Não controla reflexos em superfícies metálicas.
Leaf Spine
Pitões das Júnias, Parque Nacional Peneda-Gerês. O uso do polarizador numa folha humedecida permitiu saturar cores tornando-as muito vivas

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