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Flash Photography Fundamentals by Wayne Fulton

This content is Copyright © 2010 by Wayne Fulton, I´m sharing as a mention of an important study and subjects for advanced or enthusiast photographers, I consider this articles a very useful resource of theory and learning.

Flash Nikon SB-900 SB-700

Flash Fundamentals – Four Fundamentals We Must Know

 

Other topics that I consider important and interesting subjects:

How Light Meters Work

45 Degree Portrait Lighting Setup

Nikon Commander Remote Wireless Flash System

Comparing properties of speedlights vs studio lights

Methods to Trigger Flashes

Tenth-stop Table – f-stop, shutter speed and ISO in third and half stops.

Nikon TTL history – TTL, D-TTL, iTTL

Speed of flash units for High Speed Photography

 

Many thanks to the author for the comprehensive theory and study presented in this articles.

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Filtros na fotografia digital – Parte 3

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 3

Filtro de Densidade Neutra

Filtros ND Neutral DensityO filtro de densidade neutra (‘ND‘, Neutral Density) existe em dois formatos: circular de rosca, ou quadrado para sobrepor à lente, com ou sem suporte adaptador (como por exemplo filtros de série profissional 100x100mm). O efeito é a redução de luz que atravessa para a objectiva, possibilitada por uma constituição de resinas (polyester) ou vidro de absorção, que corta luz na proporção da sua espessura. Há outra construção possível, sendo a combinação de vidro de absorção com revestimento de uma fina película metálica reflectora.

No primeiro caso, a atenuação realiza-se apenas no espectro de luz visível, existindo filtragem na gama UV, enquanto que no segundo, esse tipo de construção é mais permeavél a uma gama de luz mais ampla, incluindo raios UV, podendo desta forma promover melhores resultados na atenuação de luz.

Um bom filtro ND deve ser mesmo neutro, diminuindo luz em igual proporção para toda a gama visível. Por vezes os fabricantes não são muito explícitos quanto à constituição dos seus filtros de densidade neutra, mas por experiência própria, já utilizei filtros ND de igual intensidade, que embora sendo do mesmo fabricante, não facultam resultados consistentes, provocando dominantes de cor.

Estes filtros variam em intensidade de corte de luz desde 1 ponto de exposição (stop ou EV) até 4, 6 ou 8 pontos de exposição, sendo estes os mais utilizados. Existem no entanto filtros de densidade neutra mais “fortes”, entre eles o lançado em Março de 2010 pela Lee Filters – o “Big Stopper” (10 stop) – ou o disponível na Cokin, nº 156 (NDX), que corta 13 stop de luz!

 

À-de-Baracrim, Parque Natural da Costa Vicentina e SW. Alentejano. Com um filtro ND de 10stop, aumento o tempo de exposição a meio da tarde, para 1 minuto, a f/19 100ISO

A aplicação prática da diminuição da intensidade da luz traduz-se em maior flexibilidade na relação de abertura e tempo de exposição, independentemente de existir muita luz disponível. O objectivo é obturar em velocidades mais lentas, surgindo diversas aplicações possíveis:

  • Fotografar com velocidade mais baixa com plena luz do dia possibilitando efeitos de arrastamento, em folhagem, água ou nuvens, entre outros motivos; Por exemplo, em condições de luz do Sol a meio do dia um disparo resulta em velocidade aproximada de 1/125s, no entanto, com filtro 1.2 (4 stop) reduz-se a velocidade para 1/15s, própria para causar efeitos de movimento de água numa cascata, por exemplo;
  • Fotografia de retrato: quando há muita luz disponível, e mesmo assim se pretende fotografar com grande abertura, potenciando o desfoque de fundo na imagem, pode ser utilizado o filtro ND para minimizar o tempo de exposição e permitir a abertura necessária;
  • Longas exposições em fotografia urbana/arquitectura: para evitar a presença de pessoas numa imagem de arquitectura ao fotografar, por exemplo, num local turístico, pode-se optar por uma exposição longa de vários segundos, o resultado é o desvanecimento de pessoas, que serão suprimidas na fotografia;
  • Diminuição de luz em fotografia com flash com velocidades “baixas” de sincronização.

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. A utilização de um filtro ND permitiu expor a fotografia durante 20 segundos (f/19 400ISO), acentuando o efeito de movimento das ondas no mar

Mais considerações sobre filtros ND:

  • Máximo cuidado no manuseamento, pois riscam com facilidade;
  • Concebidos em vidro ou resina (polímeros), sem revestimento;
  • O filtro na minha mala é de factor 1.2, absorvendo 4 stop de luz, e já me deixa uma margem de manobra considerável, mas pretendo a aquisição de um filtro de factor ainda mais elevado;
  • Nem tudo é perfeito no uso do ND, e caso o filtro não seja mesmo neutro, a sobreposição com outro filtro ND (gradiente ou não) confere à imagem fortes dominantes de cor, geralmente magenta.

Uma tabela de conversão será útil ao leitor ao trabalhar com filtros ND em campo, na hora de calcular a exposição:

Velocidades de Obturação em função de redução de luz em Pontos de Exposição (Stop, EV)
Medição original do Exposímetro 1/250 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s
0.3 ou ND2 (1 stop) 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m
0.6 ou ND4 (2 stop) 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m
0.9 ou ND8 (3 stop) 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m
1.2 (4 stop) 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m 8m
10 stop (exemplo: Lee Big Stopper) 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m 8m 16m 32m 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m
ND10000 (13 stop) (exemplo: Cokin nº156) 30s 1m 2m 4m 8m 16m 32m 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m 17h 4m 1d 10h 8m 2d 20h 16m
ND1000000 (20 stop) 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m 17h 4m 1d 10h 8m 2d 20h 16m 5d 16h 32m 11d 9h 4m 22d 18h 8m 45d 12h 16m 91d 32m 182d 1h 4m 1 ano

 

Fazer o Download da Tabela de conversão de Filtros 'ND'

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Filtros na fotografia digital – Parte 2

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 2

Polarizador Circular

 

Antes de falar sobre o filtro polarizador, é importante uma breve introdução sobre a luz no domínio da física, para melhor compreender a utilização deste filtro.

A luz é constituída na sua essência por partículas elementares designadas fotões, que se propagam no espaço sob a forma de ondas electromagnéticas. Como radiação electromagnética, a luz tem três propriedades físicas básicas, sendo elas a amplitude (brilho), frequência (côr) e polarização (ângulo de vibração). A polarização da luz ocorre quando esta radiação, que se propaga no espaço tridimensionalmente (em todas as direcções), ao incidir numa superfície plana, se propaga em apenas um plano, devendo-se este efeito à capacidade refractora entre materiais diferentes – atmosfera e água, por exemplo.

O filtro polarizador tem a capacidade de deixar atravessar toda a luz tridimensional “pura” que oscila no espaço, mas atenuar selectivamente a luz polarizada que oscila entre planos do filtro. O filtro polarizador circular roda entre 2 anéis, alternando os planos onde atravessa luz, possibilitando o controle do efeito. Assim, rodando o anel para um plano diferente ao da luz polarizada, essa mesma luz será cortada/atenuada, sendo aplicado o princípio do ângulo de Brewster. O efeito do polarizador é potenciado em fotografia exterior com luz do Sol, fotografando a 90º do mesmo, ou seja, com o Sol à nossa direita ou esquerda (ângulos em que a luz é mais polarizada).

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. O uso de filtro polarizador num ângulo de 90º com o Sol potenciou a saturação natural de cores da paisagem

Em termos práticos, os efeitos do filtro polarizador traduzem-se no forte escurecimento do céu (onde este já é mais escuro, o céu é uma fonte de luz polarizada), controle ou eliminação de reflexos em superfícies como água e vidro, aumento de saturação e contraste aparente constituindo cores mais vivas e intensas.

Sempre que a água está presente, fotografando cascatas, em floresta, ou simplesmente uma folha, o uso do filtro polarizador, ao atenuar reflexos, transforma completamente as cores da fotografia. Mas à semelhança de qualquer outro filtro, a sua aplicação e o efeito estético que proporciona é uma decisão do fotógrafo.

Sanguine Water

Parque Nacional Peneda-Gerês, Portugal. Para obter esta imagem, foi utilizado o filtro polarizador de forma a minimizar o brilho da rocha que reflecte muita luz na película de água

Considerações sobre estes filtros:

  • Alteram a exposição diminuindo a quantidade de luz em média de 1 a 1,5 EV;
  • Podem interferir com a leitura de exposição (exposímetro da máquina fotográfica);
  • Quando usados em objectivas ultra grande-angular, testar o efeito de vinhetagem;
  • Não devem ser utilizados em fotografia de retrato – pele sem reflexos em tons tipo veludo;
  • Não controla reflexos em superfícies metálicas.
Leaf Spine

Pitões das Júnias, Parque Nacional Peneda-Gerês. O uso do polarizador numa folha humedecida permitiu saturar cores tornando-as muito vivas

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Filtros na fotografia digital – Parte 1

Na era da fotografia digital e do pós-processamento, quais os principais filtros a utilizar para os mais diversos fins? Um ensaio sobre filtros UV, Skylight, Polarizador e de Densidade Neutra. Ao detalhe, com  conselhos práticos e recomendações, o derradeiro artigo sobre filtros na era digital:

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

 

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

Parque Natural do SW Alentejano e Costa Vicentina. O uso de filtros pode ajudar a controlar a gama dinâmica em situações de elevado contraste, mantendo os tons naturais da cena

Uma regra que estabeleci na minha fotografia é: quanto menos vidro colocar à frente do vidro de lentes, melhor. Ou então coloco à frente bom vidro também. Na era digital de fotografia, o uso de filtros para correcção de dominantes do cor, equilíbrio de tons, e resumidamente todos aqueles que não interferem no efeito estético da composição – tal como controle de velocidade de obturação ou polarização – sofreram um decréscimo de utilização.

 

Parte 1

UV/Skylight

Apesar de não ser visível ao olho humano, o sensor digital, ou a película na máquina fotográfica são muito sensíveis à radiação Ultra-Violeta, responsável por dominantes de cor azulada em fotografia feita com luz Solar no exterior, ou perda de alguma definição por existência de neblina distante, frequente em cenários de montanha.

Embora a quantidade de radiação UV existente na atmosfera seja pequena relativamente ao espectro de luz visível, em cenários de neve, areia clara e água (paisagens com mar, lagoas, rios), deve ser utilizada filtragem UV, pois estes elementos reflectem intensamente raios nesta gama de radiação, por vezes com resultados que podem ser indesejáveis na fotografia.

Um bom filtro UV deve ser transparente à luz visível, e partindo deste princípio, poderá ser utilizado na maioria das suas fotografias, motivo pelo qual, aliado a um custo relativamente baixo, é utilizado normalmente como filtro protector de lentes.

O filtro Skylight é uma versão “colorida” do filtro UV, pois apesar de filtrar essa radiação, é geralmente dotado de uma pequena coloração rosa ou amarela para proporcionar tons ligeiramente mais quentes, cortando algum excesso de azul tendencialmente mais forte no céu.

Mantos de Neblina

"Mantos de Neblina", Serra da Estrela. Paisagens de montanha com as dominantes azuladas da neblina ao entardecer

Considerações sobre estes filtros:

  • Não alteram a exposição;
  • Possibilitam o controle de tons azuis do céu;
  • Filtram raios UV mas toda a luz visível deve passar;
  • Certos fabricantes de filme defendem que película mais moderna não é sensível à luz ultravioleta;
  • Filtros devem ser revestidos (‘multicoated’) para prevenção de reflexos e melhoria de contraste e definição, sobretudo na presença de fonte de luz forte ou em contra-luz (exemplo: frente ao Pôr-do-Sol);
  • Recomendados filtros de pequena espessura (3mm, exemplo Hoya Pro1D), sobretudo em objectivas ultra grande-angulares.
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Madrugada na Serra do Alvão e Serra da Freita

Fotografia de Paisagem nas Serras de Portugal

Fotografar nas montanhas da Madrugada ao Pôr-do-Sol


Como faço as minhas fotografias de montanha? Que preparações e estudos prévios são necessários? E equipamento? Como observar a paisagem segundo o fotógrafo?

(Artigo publicado no portal Fotografia-DG em 13/05/2010)

Com este artigo pretendo partilhar alguma da minha experiência, fazendo chegar ao leitor o espírito da aventura neste estilo de fotografia, contemplado com matérias essenciais para o fotógrafo que pretende aventurar-se na montanha. Num formato de relato de viagem, em que sucessivamente se vão introduzindo dicas e muitos aspectos de fotografia de paisagem das serranias no Norte de Portugal, descubra a fotografia dos trilhos de aventura, e como faz as fotografias de montanha – o fotógrafo de Natureza Hélio Cristóvão.

Parque Natural da Serra do Alvão. Uma fotografia de longa exposição na madrugada mágica. Ao Sol Nascente, o pico da cordilheira montanhosa do Alvão ilumina-se por luz dourada, enquanto as nuvens coloridas

Fevereiro de 2010:

A madrugada começa a notar-se mais cedo na última quinzena de Inverno.

Viajei com o amigo fotógrafo Paulo Lopes, com partida de Lisboa às 2h00, havia mais de 400 quilómetros a percorrer até chegar às escarpas imponentes das montanhas perto de Ermelo e Varzigueto, onde corre ainda selvagem o Rio Olo. O destino seria fotografar a jusante das enormes cascatas que se despejam abruptamente num vale semelhante a um canyon de enormes proporções. Planeei mais uma viagem “relâmpago”, pois pretendia fotografar cascatas com os fortes caudais de Inverno, no ano em que se assistiu a uma quantidade atípica de chuva, num local que teria de ser desprovido de muita vegetação arbórea, as árvores caducas típicas de Serra nesta época estão despidas de folhagem. Assim, preferia um local de montanha de granito despido e áspero – um cenário selvagem de montanha. O local seria as Fisgas do Ermelo.

Entre os meus métodos de fotografia de paisagem, a preparação de viagens e o planeamento é fulcral. Embora seja praticamente impossível seguir um plano conciso para cada jornada, seja um dia ou uma semana, pois as condições de meteorologia podem variar bastante, assim como a duração prevista de permanência nos locais, convém traçar planos gerais incluindo os percursos, locais, e uma duração aproximada de fotografar em cada zona. Planeamento e objectivos são factores muito importantes quando se está em campo.

Neste estilo de fotografia em montanha, eis um resumo de preparações e recursos na Internet que habitualmente utilizo para as mesmas:

  • Meteorologia – trabalhar no exterior depende das condições atmosféricas, aqui não há novidade. Mas claro que inerente ao planeamento de qualquer jornada fotográfica, ainda para mais que implique grandes viagens, é importante boa informação sobre as condições previstas, e quanto mais detalhada essa informação melhor:
  • O site www.accuweather.com contém previsões a duas semanas na versão de uso livre. Muito detalhado, o estado do tempo com intervalos de hora a hora. Adicionalmente, poderá consultar dados astronómicos;
  • Complemento sempre a informação do website anterior com a do Instituto de Meteorologia Portuguesa www.meteo.pt.
  • Horários de nascer e Pôr-do-Sol, Fases e horas de nascer e ocaso da Lua – No terreno são as duas fontes de iluminação principal. Consulte informação precisa segundo os Almanaques publicados pelo Observatório Astronómico de Lisboa em www.oal.ul.pt/index.php?link=almanaques

Em termos de informação meteorológica e astronómica estamos assegurados. Mas a fotografia de paisagem, tal como eu a faço implica por vezes longas horas de estudo, com mais incidência na pesquisa segundo informação geográfica. Os SIGSistemas de Informação Geográfica – disponíveis online trouxeram grandes vantagens e um salto de tecnologia na observação e edição de dados geográficos. Entre interfaces na web e plataformas mais comuns está o aplicativo Google Earth:

Uso de software no planeamento de fotografia de paisagem. Google Earth com relevo tridimensional

  • O Google Earth é uma ferramenta muito poderosa. Tire o máximo partido do software, com visualização tridimensional de relevos, pesquise acessos, desde trilhos carreteiros a estradões em terra. Aponte coordenadas e introduza no GPS. Há um mundo de possibilidades a explorar para as jornadas em campo e orientação nesta abordagem à fotografia em montanha;
  • O Instituto Geográfico Português (I.G.P.) é o organismo responsável pela execução da política de informação geográfica nacional. Alguns recursos muito úteis para descarregar ou consultar na Internet:
  • Através do serviço m@pas online disponibiliza ao público, gratuitamente, um conjunto de serviços de dados geográficos, muito completo. Essencial no âmbitos dos SIG na Internet: http://mapas.igeo.pt/

Excertos de informação geográfica – Mapa de relevo e acessos e carta à escala 1:1 000 000 de Portugal Continental

Continuando em viagem…

Antes do Sol nascer, já estava a contemplar as montanhas da Serra do Alvão, no coração do Parque Natural. Observámo-las ainda sob a luz nocturna da madrugada. Em viagem, a altitudes superiores a 900 mt. atravessámos neve, junto à Serra do Marão, mas entretanto, a cotas mais baixas, era a chuva em direcção a Ermelo que combatia a motivação.

Uma “lição” importante para o fotógrafo de Natureza, independentemente da experiência, é não perder a motivação e continuar focado nos objectivos, mas ter em conta que nunca se deve ter expectativas demasiado altas. Nada é garantido neste estilo de fotografia em paisagem, e a taxa de sucesso de produção de grandes imagens é baixa. Pode se feita uma enorme viagem em tempo reduzido, mas simplesmente o cenário no destino pode não funcionar. A perspectiva é sempre o regresso. Por outro lado, é quase inevitável uma “baixa” de moral ao observar certas condições impróprias para a fotografia que se pretende fazer. Uma vez mais, há que continuar, pois como descrito abaixo, sob tempo instável, tudo pode mudar…

A chuva iria cessar em breve dando lugar, ainda sob o crepúsculo matinal, a céus instáveis, com nuvens rápidas a atravessar a Serra. Chega o momento de fotografar, estudar enquadramentos, compor neste ambiente místico, sob a luz de um novo dia na montanha. Avista-se neve em picos mais elevados e distantes. As condições de nevoeiro e céu denso conferem o dramatismo da Alvorada na paisagem. Durante o Sol que se ergue, ainda a grande bola dourada, brechas nas nuvens permitem atravessar a luz iluminando o pico virado a Nascente. A magia estava a acontecer. Sobe a adrenalina tentando compor o que se espera um momento de paisagem inesquecível. Eu opto por longas exposições de 15 a 30 segundos, captando arrastamentos de nuvens enquanto a montanha recebe luz.

Durante a manhã exploram-se as vertentes na margem direita do Rio Olo, a Montante e Jusante das cascatas. Os desníveis das cristas ao leito são vertiginosos, e mesmo assim, há a aproximação ao precipício para fotografar de tripé montado.

Parque Natural da Serra do Alvão. Espectacular vale, montanhas altas. É impossível transmitir a sensação de altura vertiginosa nesta imagem dimensionada para a web

No campo:

Nas circunstâncias em que foram feitas as fotografias anteriores, a qualquer momento a luz muda. É preciso estar preparado? Sim. Mas por vezes é muito difícil. Contemplar um local pela primeira vez e assistir a boa luz para fotografar, sem conhecer ainda os melhores enquadramentos e composições pode ser muito stressante. Há que manter a concentração e não a dispersão. Se é uma grande foto que procura, estude bem os enquadramentos. Se já tem um enquadramento que realmente agrada, pondere seriamente antes de desmontar o tripé se ainda não fez a foto. Insista, espere, pois em instantes, tudo pode mudar e transformar o cenário. Eu mencionei o tripé? Sim, todas as imagens que o leitor observa neste artigo (com a excepção da Cabra Montanhesa, abaixo) são feitas com uso de tripé.

Os trilhos:

Acrescente-se que os percursos pedonais que estes trilhos envolvem, são muito perigosos em certos locais, não havendo lugar para falhas. Os desníveis abruptos e piso molhado que estava na altura tornam iminente qualquer erro. Pondere a segurança. Deve levar vestuário e calçado apropriado, de montanha – quanto mais aderente melhor; e mais leve também. Máximo cuidado na aproximação dos precipícios, sobretudo com muito vento.

Equipamento:

Um breve resumo do equipamento na mochila apropriado para as fotografias aqui patentes: É uma questão onde muito há a dizer, mas nesta viagem em concreto, trabalhei com três objectivas, que normalmente constam no meu saco. São elas uma grande-angular de 12-24mm f/4, uma 24-70mm f/2.8 e 70-200mm f/2.8 VR (com duplicador 2x quando necessário). Este material, em conjunto com outros acessórios e excluindo o tripé implica peso acima de meia-dúzia de quilos às costas. Panos de limpeza, conjuntos de filtros, baterias extra, flash, cabo disparador, entre outros acessórios constam também nas profundezas da mochila.

Capra aegagrus hircus. Parque Natural da Serra do Alvão

A continuação da jornada. Esta viagem foi ambiciosa…

… e o plano era seguir ao fim da manhã em direcção à Serra da Freita,  concelho de Arouca, 140 Km para Sudoeste. Percorreu-se a EN224, a estrada é desgastante, mas chegámos à aldeia de Albergaria das Cabras para assistir à magnífica queda de água superior a 60 mt. que acontece na Frecha da Mizarela. Das maiores de Portugal. E da Europa. Apenas o caudal se diferenciava relativamente a condições de céu e vegetação de nada especiais, encostas despidas. Lá voltarei apenas no Outono para fotografar com maior beleza a alma do local.

Serra da Freita. Frecha da Mizarela. Cascata no Rio Caima com mais de 60 metros de altura

O desafio é grande e somos constantemente postos à prova, testando a capacidade de gerir a fotografia no pleno decorrer de escassos minutos que se revela nos momentos mágicos, transformando a paisagem. Prova superada? No total, 20 horas de viagem, 900 Km percorridos, e a experiência de luz inebriante nos cenários de Portugal mais remoto.

Muitas vezes os locais são visitados, mas muito raramente observados verdadeiramente em condições de luz mais especiais, que conferem dramatismo e enchem de emoção a paisagem. Nestas condições enquadra-se a luz da madrugada, ao nascer do dia, momentos em que foram executadas as primeiras fotos deste artigo. E é muitas vezes nestas condições que se podem obter resultados excepcionais na fotografia de paisagem natural. Nestas imagens, toda a cor e tonalidades são o mais aproximado possível do cenário real proporcionado pela luz disponível no momento, com alguns ajustes de contraste e vivacidade de cores próprios da edição de imagem e preparação para a publicação na internet.

Texto e fotografia por Hélio Cristóvão
©2010 direitos de autor reservados

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Crónica de Fotografia de Natureza

Viagem, aventura e fotografia nas paisagens costeiras selvagens a Norte do
Cabo de São Vicente, Portugal

Artigo escrito a 28.04.10 por Hélio Cristóvão

Crónica de Fotografia de Natureza

As histórias, emoções, perigos e muitos aspectos da fotografia de paisagem natural mais extrema em meio selvagem na Jornada de fotografia na Costa Vicentina no decorrer do pico de cores de Primavera, pelo fotógrafo de Natureza Hélio Cristóvão.

Os motivos a fotografar:

  • detalhes de escarpas, rochedos, arrifes;
  • grandes vistas, plantas silvestres nas arribas costeiras;
  • enseadas e praias nas marés baixas à hora do nascer pôr-do-Sol;
  • Recorte dos montes e vales costeiros, revestidos da vegetação de Primavera.

Locais:

  • Enseadas e escarpas a Norte do Cabo de São Vicente;
  • Costa selvagem entre Murração/Praia da Barriga e Castelejo;
  • Costa selvagem entre a Grota/Torre de Aspa e Malhão do Infante.

Na Primavera, durante as últimas semanas de Abril, altura em que as cores das planícies, serranias e orla marítima estão ao rubro, estabeleci o meu regresso às paisagens costeiras de espectacular beleza e dramatismo. Aproveitando a intensidade da Primavera, optei por explorar as arribas altas e escuras da Costa Vicentina, que nesta altura do ano se encontram encimadas por extenso coberto de vegetação em flor.

O plano, três a quatro dias de fotografia, permanecendo no terreno desde o nascer ao pôr-do-Sol, explorando zonas costeiras desconhecidas, por vezes das mais inacessíveis, percorrendo topos de arribas, tendo a vegetação como motivo essencial.

Este é o relato das últimas horas desta jornada, o último dia, antes do regresso de 400 Km a casa. É o relato de fotografar ao Pôr-do-Sol de 24 de Abril de 2010, onde sem que eu ainda o soubesse, iria experimentar uma perigosa e arriscada descida e subida de penhasco, para alcançar uma enseada situada entre a Carrapateira e Vila do Bispo.

Durante todo esse dia a luz nunca foi ‘boa’ para fotografar paisagens amplas e grandes vistas, há que conhecer a qualidade da luz (própria) para os vários motivos, e o céu muito nublado – nuvens altas, completamente coberto, sem textura – um céu branco, que não apresenta interesse ao incluir numa fotografia de paisagem. Esta luz difusa e cálida, no entanto, ao fotografar detalhes de Natureza, plantas e perspectivas mais “fechadas” permite evitar sombras e grandes contrastes, podendo vir a gerar bons resultados.

Silver Eye

Silver Eye

Durante a tarde percorri a pé trilhos ao longo dos topos das arribas entre as Praias da Barriga e Murração, ocasionalmente descendo a algumas praias, entre elas o Mareadouro da Escada que implica uma descida de 100mt. de altura, apenas possível com o auxílio de cordas que os pescadores lá fixaram, vencendo grandes desníveis e inclinações sob um piso de xistos erodidos. Lá em baixo, fotografei a falésia que delimita a praia a Sul, tendo em primeiro plano rochas cobertas de musgos, cujos tons verdes por vezes tornavam-se quase fluorescentes, devido à suavidade da luz! As cores estavam vivas.

Subi a escarpa, era hora de me dirigir para Norte, e, contornando os três grandes vales seguintes desço novamente, atravessando o leito do Barranco da Pena Furada. Sigo em direcção a uma praia ainda a Sul de Murração, onde um gigante pináculo piramidal ostenta cerca de 21 mt de altura. O céu não ajudou a fotografar a paisagem, e entretanto chegava a chuva. Nestas ocasiões é importante estar preparado. A máquina fotográfica deve ser protegida com capa impermeável, e o fotógrafo também! Um casaco corta-vento impermeável, leve e que não comprometa a maleabilidade é aconselhável. Fotografo o cenário idealizando já uma transformação para o preto-e-branco, acrescentando o necessário dramatismo entre a claridade do céu e a escuridão global na cena.

Dark Guardian

Dark Guardian

São 18:30h, tenho de tomar uma decisão dentro dos próximos minutos: Espero que as condições nesta praia melhorem – que o céu se apresente com algum detalhe, nem que por momentos apenas umas nuvens surgissem – ou sigo de imediato para a subida que me deu acesso à praia, voltando para trás, uma vez que o local onde quero fotografar ao Pôr-do-Sol é ainda distante para Sul. Nesta última alternativa, há ainda que contornar um pequeno vale que fica na outra vertente da cumeada da praia onde estou, mais, existe ainda uma descida de falésia cujo trilho ainda não conheço completamente. O tempo está a ficar escasso. Volto para trás, e observo o horizonte. Após um dia sem qualquer dramatismo no céu, agora observa-se alguma luz dourada que já está a aparecer. Uma luz típica de trovoada. Mas parece que as condições estariam a mudar. Reúno todas as minhas energias e subo vigorosamente, quero chegar ao destino e tenho pouco tempo.

Spiritual Gate

Spiritual Gate

Estou na crista da escarpa onde tem origem o trilho. A luz ainda está muito escura, chove, o chão está escorregadio. Estou a 105 mt. de altura sobre o oceano. Lá em baixo, vejo a escarpa e o local exacto onde pretendo fotografar. Mesmo após a descida, ainda haveriam cerca de 350 mt. de caminhada na enseada, sempre sob rochas, por vezes polidas e escorregadias.

Durante os primeiros 30 mt. de descida, estou face ao primeiro grande perigo: devido às chuvas fortes ocorreram deslizamentos na arriba, e o trilho da largura de 2 pés juntos foi cortado e divide-se à distância de pequenos saltos em alguns metros, mesmo em cima da vertiginosa escarpa, quase vertical, a dezenas de metros sobre o mar e rochas; É dos momentos em que é preciso acreditar. Fazendo equilíbrio para o penhasco tentando agarrá-lo bem… atravesso com calma, e “sangue frio”; preferia não pensar por agora que teria de cá voltar aquando da subida.

Chego ao patamar dos 70mt. de elevação, é uma proeminência, um “pequeno” cabo que se estende para o mar e termina lá bem em baixo num pesqueiro de camadas estratificadas de xisto, a “Furna do Mirouço”. Quando chego ao pesqueiro, verifico que afinal… ainda estou a uns 50 mt. de distância da enseada para trás de mim! E talvez a uns 15 mt. de altura! E já não há trilho… A única solução é caminhar sobre os patamares da rocha, que se ergue em camadas laminadas, escorregadias. Avanço pela rocha e detecto uma corda, muito difícil de alcançar. Está cravada com ferros em vários pontos, e o objectivo é atravessar lateralmente – contornando a rocha. Não há alternativa. Sem essa corda, seria impossível atravessar. Com todo o cuidado avanço, ainda muitos metros acima do mar, mas com espaço apenas para um pé de cada vez e com a corda a segurar-me. Após a corda, há que saltar para o seixo rolado da enseada.

Wild Glow

Wild Glow

Estou sozinho na verdadeira costa selvagem. Com a mochila às costas e tripé empilhado nela – mais de dúzia de quilos de equipamento, salto de rocha em rocha, a bom ritmo até chegar à ponta de uma das mais impressionantes escarpas da Costa Vicentina. Chegar a este ponto é um feito de experiência acumulada. Uma inexplicável motivação leva-me a pressentir que iria fazer a fotografia! Estou de frente a escarpa dos Caixões. O mar está agitado, mesmo ali à beira do oceano, neste local é preciso observar com muita atenção o comportamento das ondas fortes, estou em plena zona de rebentação, ocasionalmente pego no tripé com a máquina e dou uma corrida para me afastar das maiores vagas. Começa a chover, e fica bastante difícil estudar enquadramentos e compor sobre estas condições. Eu estava a experienciar em tempo real o expoente máximo do puro dramatismo da Natureza, à medida que a chuva fraqueja e cessa, por trás de mim revela-se agora a formação de um espectacular arco-íris acima da linha costeira das arribas! A luz começa a transformar-se, o céu está cada vez a ficar menos nublado e a começar a explodir de cor à medida que o Sol baixa no horizonte. Começo a fotografar.

Optei por voltar para trás até ao local onde havia descido à enseada, mesmo sabendo que ainda não tinha atingido o pico de cores que aquela luz iria oferecer no crepúsculo. Mas não havia tempo. O local é perigoso e precisava de voltar a subir a arriba. Eu já tinha feito a minha fotografia aproveitando vários momentos de luz mágica. Chegando ao limite a Sul das arribas, antes de iniciar a subida, assisto agora a um céu inesquecível, de cores espectaculares, que tenho de fotografar. Monto novamente tripé e máquina. Sem perder muito tempo, e em questão de poucos minutos fiz ainda a última fotografia, incidindo sobre um rochedo que optei por centrar na composição.

Twilight Claw

Twilight Claw

Vou subir por um local diferente, há uma alternativa, uma corda que se estende por vários metros de altura, sem sequer ver o que está a seguir, não há trilho visível, mas ainda assim arrisco. Prefiro arriscar as minhas hipóteses ao invés de voltar à corda e rochas por onde desci. Agarro esta corda e mais uma vez avanço à confiança. Chegando ao fim desta corda, não há caminho perceptível daqui para cima. Está a anoitecer e sinto-me encurralado. Resulta a impressão que dada a acentuada inclinação deste precipício, o rochedo em erosão deslizou, e onde poderia haver um trilho visível, já não existe. Este foi o momento emocionalmente mais forte e exigiu muito controle, observo à minha volta, e vou confiar toda a minha mente à subida. Prontamente começo a escalar à mão livre, agarrando ramos cravados na terra, agarrando rocha e a própria terra, na subida quase vertical, apoio os pés no que me pareciam marcas semelhantes a pequenos degraus da espessura de um pé como que definindo um carreiro de passagem; Consigo vencer esse trecho de subida e volto ao caminho inicial! Dificilmente voltarei a este local sem as minhas próprias cordas e outras medidas de segurança. Após os restantes obstáculos, senti enorme alívio ao chegar ao carro; a aventura, marcante.

A Costa Vicentina tem as paisagens costeiras da contemplação e do fascínio, mas apenas uma mão de praias conhecidas e facilmente acessíveis, no entanto, praticamente toda a orla costeira, por mais elevadas que sejam as escarpas, têm um ou mais acessos. Acontecem situações inacreditáveis e há descidas que deixam a pensar como é possível? Mas os pescadores traçam os seus caminhos, e a dezenas de metros, com ou sem cordas, pelas arribas e através de carreiros entre rochas descem aos pesqueiros.

No campo, em acção e nas paisagens do Sudoeste de Portugal

No campo, em acção e nas paisagens do Sudoeste de Portugal

Texto e fotografia ©Hélio Cristóvão
Revisão técnica por João Matos

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