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Fotografias Mágicas. Luz dourada na costa de Sintra

Multiple Exposure Nikon 70-200 f2.8 Helio Cristovao www.heliocristovao.net Wild Landscape Portugal

 

Arte natureza Fotografia é uma marca de Autor. Um projeto que nasceu há 5 anos e reflete a minha dedicação à fotografia de paisagens naturais em Portugal. Um percurso que me trouxe até esta imagem. Muitas vezes fotografei sozinho neste lugar. E por toda esta costa. Mas o passar do tempo só me veio ensinar que ainda há tanto para criar nestas paisagens!

Este é um trabalho que vem do coração. Simboliza a ligação do fotógrafo com o lugar, para com as ideias, talento e arte, captar e eternizar a sua essência. Este é um Pôr-do-Sol como tantos outros, céu limpo, e só a luz dourada transforma a paisagem. Mas não é preciso mais para fotografar momentos inspiradores.

 

Num momento da minha vida em que abraço novos projetos e trabalho, quero dedicar esta imagem aos fotógrafos que me tem acompanhado nestes últimos anos. Com quem cresci na fotografia, pela referência, inspiração, partilha, e acima de tudo: amizade. Como já tive oportunidade de dizer publicamente, tem sido um privilégio para mim, com o qual me sinto afortunado.

 

 

Foto: Agosto 2012

Praia selvagem no Cabo da Roca

Tripé. Teleobjetiva. Sem Edição. Efeito ‘dreamy’ com Múltipla exposição feita na câmara

 

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Os Lugares do Fim da Terra

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem selvagem

 

Os lugares do fim da terra. Sítios selvagens com as vistas vertiginosas da montanha partida frente ao mar.  

O perfil ancestral da rudeza das falésias íngremes, ásperas, este lugar transporta-nos para outras realidades numa fatalidade épica de um território imperdoável!

Uma terra cantada pelos maiores poetas portugueses. O Promontorium Magnum dos romanos. Um passado de histórias de piratas nos tempos dos faróis de azeite, que atraíam ao naufrágio barcos para saquear espólio.

Aqui são duzentos metros de altura face ao mar. Sim, 200 metros de descida, e os pesqueiros nas arribas talvez se situem entre os 20 a 50 metros de altura. Trilhos extremos.

Arribas Direitas, o nome do local. São os pesqueiros nos limites mais a ocidente da Europa Continental. Onde a curiosidade vence o receio. Ou pelo menos, venceu o meu receio.

E com muito respeito pela força da natureza lá em baixo, o mar revolto lembra-nos que isto não é sítio para pessoas.

 

CONVITE:

Se estas fotografias te falam ao coração, então vem assistir à próxima tertúlia Fotonature, intitulada ‘Fotografia de Paisagem: O Lado Extremo’. Serei o orador convidado, e o meu papel é muito simples: contagiar a audiência com aventuras e experiências na procura de fotografias inéditas, em alguns dos locais mais selvagens em Portugal. A não perder!

 

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem Nikon Fotografia Silver Efex Pro Grao

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem selvagem Assentiz praia

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem Nikon Fotografia Silver Efex Pro Grao

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem pesqueiro montanha

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem Nikon Fotografia Multiple exposure

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem mágica Primavera

Helio Cristovao Cabo da Roca Sintra Cascais Paisagem mágica Primavera

 

Este é um trabalho de fotografia de autor. Gostaste deste artigo? Então ajuda a divulgar, dando a conhecer a minha fotografia:

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Fotografia de Paisagem. A Pedra do Cavalo

Voltou a ser uma experiência indescritível, não só por pisar o território onde raramente pessoas vão, quase inacessível pelo recorte da falésia face ao mar, como por poder assistir e fotografar com uma luz mágica a paisagem selvagem e a arriba de granito a que chamaram ‘Pedra do Cavalo’:

Portugal Sintra Selvagem Cabo da Roca Mar Luz Dourada Helio Cristovao

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Lua, Sol, Marés, condições especiais precedem o Equinócio

Há alturas durante o ano em que as condições para fotografar na zona costeira se conjugam proporcionando situações raras, oportunidades únicas. Nos próximos dias, prevê-se um mar recuado até um mínimo na maré baixa de 0,29m (Inst. Hidrográfico, Porto de Lagos), com uma altura de ondulação média de 1m, ideal para maré baixa. O nível das maré baixas ocorre nos extremos do dia, ou seja, configura-se ideal para a revelação da paisagem costeira ao nascer e põr-do-Sol. Mais, a situação conjuga-se com o Pôr-da-Lua cheia na madrugada, com uma diferença de minutos face ao Nascer-do-Sol.

 

Costa Vicentina Photography Extreme Trip Hélio Cristóvão Paulo A Lopes
Nature photography to the Southwest wild coastline heart. The very ultimate experience in the wild, dark, imposing, highest schist cliffs. From Moonset to Sunrise to Sunset… Unique events of tidal, Moon and Sun approaching 2012 Spring Equinox

 

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Fotografia ‘Alma do Mar’

Novidades. Estou a trabalhar em muitas, na parte da minha vida na fotografia de natureza. Parte delas contam com novas fotografias inéditas e nunca publicadas que vão estar por aqui em breve, juntamente com alguma remodelação desta casa… depois de certa ausência em fotos novas pelo site nos últimos tempos. Mas relativamente a este novo trabalho que faz parte do conjunto não o consigo aguentar mais sem o divulgar ao mundo.

Alma do Mar - Praia da Grota ao Guincho e Cabo da Roca Selvagem

Parque Natural Sintra-Cascais. Uma explosão de cores no céu ao Pôr-do-Sol, sob condições raras da quantidade de areia nesta praia, que não se verificava desde há anos.

O que posso dizer sobre esta fotografia? Apenas que ela significa tudo o que procuro ao fotografar paisagem natural, numa paixão continuada e projectos nunca acabados na costa do Cabo da Roca.

 
Se gostam do meu trabalho e se merece partilhem para divulgar:
 

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O Cabo da Roca e a Janela de Tempo

Há vivências memoráveis na fotografia. Mais que isso, definem-nos. Definem um percurso, um estilo pessoal, a procura, as ambições, o querer ir mais além, atingir algo inédito.

 

Esta história passa-se no Cabo da Roca, e é sobre uma das praias selvagens (quase) inacessíveis por via terrestre (entenda-se, neste caso, escalada).

Em conversa com um pescador, a quem ajudei a libertar de um atascamento a sua lambreta pelos acessos às falésias, contou-me que há 11 anos que não desce aquela falésia que dá o acesso directo à praia, que envolve cordas, escada, mais corda, escalada e mais corda… É precisamente esta praia que há muito tempo eu intencionava ir.

Para mim, ela está no Top 3 dos sítios mais extremos/perigosos/selvagens do Cabo da Roca – a saber – Pedra de Alvidrar e Baía do Terramoto tem acessos que roçam o limite do impossível sem equipamento de escalada… mas os pescaladores fazem-nos ou fizeram-nos antigamente, com cordas, algumas ainda existentes, outras que desapareceram com a erosão das arribas.

Esta praia é envolvida por maciço calcário escavado pela erosão marítima que deu origem a cavernas gigantes, várias, são galerias subterrâneas à semelhança da falésia do Cavalo da Adraga, mas aqui em território que quase ninguém conhece, à excepção de pescadores, escaladores ou (talvez) espeleólogos.

 

Não é um local para qualquer um; quantas pessoas tão pouco ousavam a aproximar-se do inicio de um trilho na ravina de três dezenas de metros de altura, para percorrer um carreiro da largura de dois pés juntos e com cordas à mistura para escalar desníveis em plena escarpa sobre um mar revolto lá em baixo? O que o tempo e a experiência me têm ensinado é que não há assim tantos impossíveis, apesar das falésias vertiginosas. Os pescadores têm traçado os seus caminhos e acessos há décadas.

O meu propósito para aceder ao local desde há anos para cá, sem descer directamente a falésia, requer condições verdadeiramente inéditas. Mas é possível. E até por Norte ou Sul!

Durante esta semana, ocorreu uma das marés mais baixas de todo o ano, sob a influência de ondulação fraca, que permite que o mar recue muito para além do habitual. Simultaneamente, uma grande quantidade de areia que não se tem verificado desde há vários anos, estendia um tapete entre a Pedra da Ursa, a Gigante e a Pedra de Alvidrar. Isto são condições raras e muito específicas, e precisamente abre a oportunidade – uma pequena janela de tempo – onde eventualmente será possível contornar o sopé das arribas e aceder aos locais mais improváveis, vedados pelo mar quase todo o ano. Mas só durante uma manhã isto aconteceu, aliás só durante uma hora ou pouco mais.

Fui com o Paulo Lopes, e tivemos a nossa oportunidade. Mas em certo ponto da travessia pela base da ravina, a areia estava mais cavada, e fazia um fundão…

Sim, eu sei, parecia inacreditável atravessarmos a nado. Atravessámos. É manhã, é frio, é a paisagem remota e rigorosa do Cabo da Roca. Mas é onde a pedra e o mar conjecturaram um paraíso muito próprio. E pisámos aquele chão da Praia do Caneiro.

 

Por um lado sente-se a vitória e a conquista, como um novo mundo que se descobre, novas realidades, por outro a frustração. Na passagem do fundão não conseguimos levar equipamento fotográfico.

A janela de tempo fechou-se. No dia seguinte, em que teoricamente a maré seria igualmente baixa, voltei às falésias. A areia ainda lá estava… Mas as ondas eram altas. E voltava a ter o acesso impossível.

 

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Vida marinha nocturna no Espigão das Ruivas

O seguinte portolio de fotografia resulta de sessão nocturna no litoral do Parque Natural Sintra Cascais, uma baía selvagem de escarpas imponentes que atingem 30 metros de altura, recortadas a pique até ao nível do mar.

Entre arribas ainda existem vestígios de antigas casas em ruínas, que testemunham outras épocas de pescadores que ali habitavam. Descendo por um vale que se precipita em cascata com as chuvas do Inverno, alcança-se a baía; enormes rochedos separados do maciço granítico formam vários pináculos ao largo da enseada, aqui a maresia é tão intensa e a paisagem idílica.

Cabo da Roca selvagem Pôr-da-Lua

A lua em quarto crescente aparecia ténue acima do horizonte com as cores do crepúsculo, o ocaso da lua seria cerca das 22h.

Após o Pôr-da-Lua a escuridão quase total, sem nuvens no céu que são tecto reflector da iluminação dos povoados, apenas um brilho se mostra por cima das altas paredes rochosas, e vem de Sul.

A maré vazante já deixava contornar uma falésia alcançando uma outra baía separada pela zona de marés. E é precisamente nesta área que se revelam as piscinas de maré baixa abundantes em vida marinha; pelas 23h30 ocorria uma baixa-mar de 0,50 mt e um novo mundo se descobre na noite.

É de facto uma das marés mais baixas que ocorrem mensalmente nas fases de Lua nova, e é já bastante baixa considerando a amplitude da maré durante todo o ano.

A técnica de fotografia que utilizei na total escuridão, uma mão que agarra a pequena lanterna e ilumina o motivo, ao mesmo tempo que faz zoom e foco na objectiva, e com a outra mão controlo a câmara fotográfica. Toda a luz para obtenção destas fotografias recorre ao uso de flash externo, que pode ser utilizado em bounce flash, wireless remoto para luz lateral, e com o uso de filtros ou não.

A excepção é a primeira fotografia das pedras roladas, obtida manualmente pela sobreposição de duas fotografias (duas exposições consecutivas de 20 segundos) directamente no software da câmara fotográfica; em todas as imagens a edição digital é mínima, os resultados são praticamente os obtidos directamente no acto de fotografar.

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Com a subida da maré e após algumas horas a fotografar surgem nuvens que reflectem tons vermelhos nas falésias. É hora de regressar à enseada a Norte antes que o mar suba tal que impeça a passagem. E reunir forças para a subida do trilho que me trouxe e ao Paulo Lopes, o meu companheiro desta jornada, afinal temos para cima de 150 metros de desnível até chegar  ao ponto de partida…

Paulo Lopes e Helio Cristovao Cabo da Roca

 

 

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Cabo da Roca – Dia Europeu de Parques Naturais

Dia 24 de Maio, celebra-se o Dia Europeu de Parques Naturais (EUROPARC Federation). Por forma a assinalar este dia, preparei uma colecção de trabalhos, alguns mais antigos, outros mais recentes mas nunca antes publicados, ora fotografias no campo artí­stico ou mais documental, sendo que todas realizadas no Parque Natural onde desenvolvo mais actividade: Sintra-Cascais. Mais concretamente, o Cabo da Roca. Os motivos: as cascatas, granito e líquenes, arribas, grutas, Pôr-do-Sol e Pôr-da-Lua, crepúsculos da madrugada e da tarde, a flora marinha e as cores da Primavera.

 

O Crepúsculo nocturno na Malhada do Louriçal, 2008

Em 2009, escrevi sobre o Cabo da Roca:

«O Cabo da Roca tem a importância geográfica e o misticismo que lhe é inerente do inevitavelmente sempre citado local mais ocidental do Continente Europeu.
Quanto mais conheço desta área costeira, mais vontade tenho de lá voltar e fotografar, procurar melhor luz, estudar o assunto e ligar-me a essa Natureza, essa outra realidade costeira e selvagem.

A orla costeira está sempre a mudar, seja o ciclo natural dos seres vivos ao longo do ano, ou a quantidade de areia deslocada nas praias e enseadas, ou os calhaus rolados nas zonas de marés que se arrastam à força da água e modelam as baías. O Cabo da Roca nunca pára de me surpreender. Já o havia citado o Autor Português J. Romão, no livro fotográfico editado em 1998 sobre o local. As possibilidades fotográficas são inesgotáveis.
Mas os verdadeiros segredos deste litoral são conhecidos por quem nestes trilhos e rochas há mais anos caminha e permanece. Pescadores de elite, aventureiros fortemente ligados ao mar. Eles nomeiam locais sem nome, rochas e pesqueiros. Sobem por escadas de corda cravadas em rochedos e arribas, descem essas arribas imponentes com o auxílio de cordas com o perigo iminente de não haver uma segunda oportunidade. Desafiam as falésias com destino a locais que parecem acessíveis apenas na imaginação do Homem.

Fotografar no Cabo da Roca é um projecto nunca acabado. É um local com forte magnetismo que nos impele pela sua força – de passagem para o Atlântico – pela grandeza e aspereza das arribas e rochedos magníficos e biodiversidade que nelas habitam. É um local mágico».

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Passados 2 anos, o que mudou para além da persistência, foi a procura de ainda mais, a procura de novas composições e novos desafios, novas interpretações. Este local continua a exercer sobre mim uma busca continuada na fotografia. Quanto mais se aprende sobre ele, mais se verifica que ainda muito há a fazer – numa dimensão de fotografia apenas proporcional à criatividade.

 

Fica o álbum:
(Adobe Flash Player necessário)

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The European Day of Parks was launched by the EUROPARC Federation with the aim of raising the profile of Europe’s protected areas and generating public support for their aims and work“.

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O Adeus da Pedra da Ursa

Praia da Ursa… Quem a viu pela 1ª vez e não sentiu o esmagamento pela dimensão das suas pedras, das arribas, cascatas e vida selvagem, uma porção de paraíso ao largo do Cabo da Roca, um tesouro das suas paisagens selvagens, a ‘pérola’ do litoral Sintrense.
"A promessa de Luz" - Praia da Ursa, Inverno de 2010

"A promessa de Luz" - Praia da Ursa, Inverno de 2010

Quando recebi a notícia do desmoronamento da ‘Ursa do Norte’ só me lembrei de tudo o que não fiz em fotografia com esta Pedra mítica. E foi com tristeza que caí na realidade que essa possibilidade desapareceu para sempre…

 

Inesquecível, o momento em que conheci a Praia da Ursa e a sua pedra ícone, ainda a meia falésia pelos trilhos contemplava esta Titã, e a sua imponência, monolito gigânteo que ostentava 100 metros de altura, formado por invulgares geologias, talhado pelas erosões na incursão calcária nos maciços graníticos dos contrafortes litorais, de formas delicadas e grande beleza, fotogénica, mas evidenciando toda a rudeza selvagem da Roca… A partir desse momento, a praia da Ursa e a sua Pedra conduziram na minha carreira fotográfica de paisagem natural um importante destino, ao qual regressei inúmeras vezes para lá estar e para fotografar – entre o entardecer, várias madrugadas, algumas pernoitas, crepúsculos e nocturnos. É um local singular em Portugal.

A 28 de Abril, regressei para verificar o estado do rochedo. Foi uma visão tanto triste, como inquietante, como inevitável, a modelação da paisagem à força da natureza. E aconteceu nesta geração, o desabamento da Grande Ursa, que à vista se encontra erodida, nas suas faces e de aspecto frágil tanto pelos deslizamentos no rochedo como pela íngreme forma do pico restante.

A nova Ursa... a partir de 23 de Abril de 2011

Gaivotas sobrevoado o pico do rochedo, dão certa noção de escala...

A composição "clássica" de um miradouro privilegiado

A erosão no pico da Pedra da Ursa, fragilizado, parecendo que pode não faltar muito para tombar a qualquer instante

Os detritos depositaram-se no arco "túnel" dos escaladores. O "Portal Cósmico"

Como se fala desta pedra? Desta praia e desta paisagem? A Praia da Ursa inspirou artistas ao longo dos tempos, são sobretudo conhecidas várias obras de pintura desde há um século atrás. Desde a antiguidade, persiste a “Lenda da Pedra da Ursa”:

«Um par de enormes rochedos emergem da água, a norte da Praia da Ursa, mesmo junto a essa, evocando a primeira enorme rocha em seu perfil, a imagem de um urso altivo.

A lenda diz que há muitos milhares de anos, quando a terra era uma enorme bola coberta de gelo, aqui vivia uma ursa com os seus filhos. Quando o degelo começou, os Deuses disseram a todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas a ursa não o fez, pois ali tinha nascido e ali queria ficar.

Os Deuses enfurecidos transformaram a ursa em pedra e os seus filhos em pequenas rochas dispersas à volta da mãe, que ali para sempre ficaram dando assim o nome à praia – Praia da Ursa.»

Os Pináculos a Sul que delimitam a Enseada da Palaia... intactos e sempre imponentes

As cores do mar e a gaivota em busca do alimento

Outra lenda bem menos conhecida conta como terá sido realizada a primeira ascensão da Ursa:

«Há bastantes anos (menos do que milhares, com segurança), num raro dia de mar calmo, um pescador solitário atracou o seu pequeno barco junto ao flanco oeste do rochedo. Contornou a torre pelo anel da rampas mais suaves transportando um estranho e volumoso objecto debaixo dos braços. Destrepou a arriscada vertente de terra e pedras, chegando ao borde da face leste e esgueirou-se sobre o precipício de uns 25 metros. Duas grandes estacas foram cravadas entre pedras e uma enorme escada construída com ripas de madeira e cordas foi lançada ao vazio. Estava aberto o portal de acesso para a Ursa.

Pouco tempo depois, o mesmo homem resolveu subir até ao cume do rochedo. Procurou a secção de parede que lhe parecia ser a linha de mais fácil ascensão e lançou-se à aventura, em solo e por entre blocos decompostos. A emocionante escalada finalmente terminou e, o pescador pôde respirar fundo e apreciar a vista tão inebriante, tão sublime.

Levou a mão ao bolso e retirou um punhado de moedas. Utilizando uma pedra martelou algumas moedas em finas fissuras dos rochedos do topo, como uma espécie de oferenda a um qualquer Deus que o permitira sobreviver à arriscada ascensão.

Alguns minutos depois voltou a descer, “a pêlo”, ou com a ajuda de uma velha corda (dependendo da versão adoptada).

Após essa primeira vez, o homem foi voltando periodicamente ao rochedo da Ursa, aproveitando a maré vazia e subindo pela fantástica escada de cordas, dirigindo-se ao lado oeste da formação, onde a rebentação anuncia a melhor pescaria.

De quando em vez, enquanto esperava que a maré voltasse a vazar, antes que a Pedra da Ursa deixasse de ser ilha, o pescador voltava a escalar até ao topo, para apreciar as vistas, para viver uma nova aventura. Sempre que o fazia, deixava a sua oferenda de moedas, cravadas nas mais altas rochas que lograva alcançar.

Hoje em dia, cada vez que visitamos a praia da Ursa, podemos apreciar a incrível escada de cordas que os pescadores locais costumam utilizar. E, se nos atrever-mos a escalar até ao cimo, ali estão as moedas cravadas, desde os tempos dos escudos. Fábula ou realidade?»

Fonte: Blog «Rocha podre e pedra dura», artigo por Paulo Roxo

Ainda que com a luz dura do Sol da tarde, há lugar a composições mais abstractas e criativas tendo o mar como motivo

Primavera costeira e a vida desta praia selvagem

Como se fala desta praia? É simbólica, as suas pedras colossais, pesqueiros, cordas, escadas, cabanas e trilhos escarpados, os dos pescadores, que persistem desde os antigos. É uma praia especial para cada um de nós, que com ela se liga numa natureza idílica, que tem tudo o que de espirituoso significa o encontro do ser com a terra, com a paisagem… uma paisagem quase “lunática” como alguém disse.

 

Notícias e ligações:

“O Despertar e Último Momento da Praia da Ursa”

“Os arcos da Praia da Ursa”

“A Natureza continua a moldar a imagem da Praia da Ursa”

Texto e fotografia: ©Hélio Cristóvão

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A Lagoa Glaciar

Fotografia, paisagem e aventura

Nas Montanhas do Parque Natural da Serra da Estrela

 

Relatos de uma viagem fotográfica ao coração da montanha durante o Inverno, nela pernoitando e trilhando caminho em direcção à luz da madrugada na lagoa do Peixão.

 

“Chegámos à caldeira da lagoa. Esta caldeira é muito semelhante à da lagoa escura; mas a paisagem da ladeira, que desceramos, e dos fraguedos superiores, que a circundam, é muito mais variada e formosa. (…) Na penedia do lado nordéste, e que é toda revestida de zimbros e urzedos, entalha-se uma escadaria natural, muito íngreme e estreita, mas de ascensão segura. É essa a única vereda praticável, para se sair da lagoa do Peixão em direcção aos Barros Vermelhos.”

Emygdio Navarro, “Quatro dias na Serra da Estrela”, 1884

Lagoa do Peixão - Serra da Estrela

Além dos fotógrafos envolvidos e algumas pessoas ligadas a actividades de montanha, eram poucos os que conheciam a origem desta aventura, nem os amigos mais chegados sabiam desta vontade. Desde há dois anos que este “projecto” existia em mente dos três fotógrafos de Natureza portugueses, Nuno Luís, Hélio Cristóvão e Paulo Lopes, que no Solstício de Verão de 2009, no decorrer do pico de cores de Primavera serrana,  fotografaram a Lagoa do Peixão à luz do nascer-do-Sol, para tal pernoitando na montanha apenas com esse propósito. E desde essa data, que o regresso à lagoa havia sido idealizado; mas um regresso sob a luz do Inverno, onde se imaginava a paisagem do covão e os picos da montanha cobertos de neve… como que uma ideia persistente, este projecto nunca nos abandonou, até que dois anos depois, as condições se “proporcionaram”. Então, a pura beleza e magia da Natureza da emblemática lagoa Glaciar do Peixão iria em breve abandonar o nosso imaginário na data em que Hélio Cristóvão e Paulo Lopes se aventuram na montanha para de lá trazer a fotografia ao nascer do Sol em pleno Inverno.

 

“12h de 2 de Março de 2011, viagem de partida da cidade rumo à montanha”

 

5 dias antes cerca das 5h da madrugada na Serra da Estrela, eu dava início à ascensão da montanha pelo trilho junto ao Rio Zêzere em direcção ao Cântaro Gordo, e à lagoa no seu sopé, para assistir e fotografar à magia do nascer-do-Sol que viria a acontecer e a iluminar os picos de montanha (Um obrigado ao Pedro Santos pela disponibilidade e força de vontade, que ao seu modo fez uma foto no vale selvagem). As condições do trilho pela madrugada revelaram-se numa progressão muito difícil, nas altitudes mais baixas com finas camadas de neve entre arbustos e rocha, onde facilmente se enterrava nos buracos cavados pela caminhada, ora havia o gelo formado na noite tornando o piso escorregadio e perigoso em cada passo. Mas, excluindo a pernoita, era a única forma de obter a fotografia que pretendia. E portanto avancei. Apenas 6 horas e 30 minutos depois estava de regresso ao ponto de partida… exausto, mas “realizado” com a concretização do objectivo.

Experimentado estas condições, e com o intuito do regresso à Lagoa do Peixão, conclui que dado o relevo, terreno acidentado e inclinações acentuadas, seria aparentemente impossível descer o trilho gelado pela noite (num futuro que era próximo, havia de constatar in situ esta notação); se fazê-lo de madrugada estava excluído, seria necessário pernoitar na montanha, e com a relativa “urgência” dadas as condições meteorológicas – Havia que aproveitar a neve recente e os dias de “céu limpo” ou pouco nublado (segundo previsões), em que existia mais probabilidade de ocorrência de luz a incidir nas montanhas ao nascer e pôr do Sol. Estava traçado o destino. Eu e o Paulo Lopes seguimos em direcção à Lagoa durante o entardecer, com os quilos de equipamento fotográfico, tripés, mochilas, lanternas, sacos cama e tendas, alguma comida para cozinhar e 1,5L de água.

Serra da Estrela montanha selvagem

Serra da Estrela montanha selvagem

 

“16h e temperatura de -3ºC. A descida do trilho de montanha”

 

“(…) como tudo aqui symboliza iniciação da vida do céu. Aqui os largos horisontes, os pontos de vista elevados, as seremidades magestosas, a água e o ar puríssimos, a ausência da lama e das podridões […] subindo intrepidamente às montanhas onde aliás a neve tem scintillações e abysmos.”

Deixando para trás todos os confortos e cedendo os instintos ao encontro da aventura, inicia-se caminhada na serra gelada. Pela altitude dos 1850 mt. e percorridos já os primeiros 400 metros para além da estrada entre Torre e Lagoa Comprida, chegamos aos limites dos enormes contrafortes de granito que formam as ravinas mais acentuadas a montante das linhas-de-água afluentes do Vale da Candeeira. O trilho possível desenvolve-se ao longo de um covão, ora pela linha-de-água por vezes quase no seu leito, ora a “meia encosta” junto a paredes rochosas ou pelos topos dos respeitáveis “boulders” e lages de granito.

Avistam-se algumas mariolas, as que não estão cobertas entre o manto de neve, e em vários pontos do percurso, são da maior importância, pois conduzem pelo trilho “certo”.

6787 Serra da Estrela montanha granito e neve

O piso era inevitavelmente muito escorregadio devido à película de gelo mantida mesmo durante o dia nas vertentes viradas mais a Norte, que não recebem muita luz do Sol – apesar disso foi um dia de muito frio – mesmo a neve mais exposta ao Sol durante o dia era de uma progressão difícil, não tinha textura, atrito. Deslizar sobre penedias mais íngremes é por vezes a única solução de descida ao ponto seguinte, a inclinação mais acentuada do terreno em zonas cobertas de neve não deixa alternativa senão deslizar agarrando arbustos para travão, ou rochas, que por vezes contornamos pelos “valados” fundos que se formam entre a neve e a rocha.

Num dos deslizamentos mais íngremes e longos onde adquiri grande velocidade, a violência de me prender a um arbusto foi tal que rasguei um dos dois pares de calças em 30cm, continuando assim a jornada…

Aproximadamente com 1200 metros de percurso volvidos, o trilho estabelece-se num esporão da montanha, uma certa área de planalto à cota 1700mt. onde bifurcam duas linhas-de-água. Avista-se uma mariola, mas a partir deste local, o terreno ganha ainda mais dificuldade. Descemos 150 metros de desnível, não há mais mariolas visíveis doravante; avançamos por granito e gelo pela esquerda da ravina com cumeada a Norte da Lagoa do Peixão. Ainda não sabíamos que seria o nosso maior erro do percurso, e ainda menos sabíamos que se não fosse tal erro, pelo trilho “normal” não seria possível sequer a alcançar a lagoa…

O entardecer faz-se rápido entre o céu nublado na plena montanha, quando alcançamos um ponto onde não é possível avançar mais. Estávamos a meia escarpa entre uma linha-de-água a Norte, onde se avista o cume do Piornal e a magestosa encosta do Covão da Candeeira. Mas não tínhamos chegado à lagoa, e a luz começara a diminuir. Ponderamos acampar no local, tentar regressar, ou explorar a área… O Paulo avança para Sudeste, atravessando transversalmente a montanha pela cumeada, e é nesta investida que se descobre que a lagoa do Peixão estava 40 metros abaixo de nós.

 

“Do anoitecer à madrugada, temperatura de -15ºC”

 

“A meia altura d’essa escadaria há um como que terraço, uma rocha espalmada, d’onde se abrange toda a perspectiva da lagôa e suas cercanias: a alguma distância o bojo apopletico do Cantaro Gordo; ao lado direito a ladeira de verde esmeralda e glauco, com as suas caprichosas sinuosidades e filetes de agua; ao lado esquerdo, o valle da Candieira, para onde a lagôa despeja o excedente das suas aguas, e que constitue o ramo norte das nascentes do Zezere. É de uma belleza de paisagem e colorido verdadeiramente magnificente!”

Serra da Estrela Cantaro Gordo

Observando a vereda com a Lagoa congelada na sua base e já ao anoitecer, planeamos descer às margens da lagoa na madrugada uma hora e meia antes do nascer-do-Sol. Entretanto, montamos acampamento num socalco plano com uma vista priviligiada para a montanha… e as horas seguintes levam-nos à segunda viagem, atravessando o gelo da noite, com fogueira e culinária. A 1000 mt. de altitude abaixo de nós, em Manteigas estavam previstos -10ºC, no acampamento, estima-se que fizessem -15ºC. As tendas cobrem-se rapidamente de gelo, e apenas o calor da fogueira aquece o espaço e nos serve os propósitos de culinária e obtenção de água para beber…

acampamento na montanha Lagoa do Peixão Inverno

fogueira no granito camping selvagem

aquecer na fogueira camping selvagem

Helio Cristovao aquecer na fogueira camping selvagem

lume fogueira campismo selvagem

Aquecer comida na fogueira à noite na montanha

caçarola ferver neve água potável

Aquecer na fogueira noite Inverno na montanha

colher neve na caçarola para ferver
“A Lagoa Glaciar”

 

São 5h30m da manhã. O frio tinha sido suportado entre vagas de vento mais forte e a tenda gelada nas últimas horas. Durante a noite, nuvens e nevoeiro a certa altitude tapavam a visibilidade das estrelas, por vezes noite escura, noutros momentos brechas de céu estrelado; o mais preocupante seriam as condições em que ocorreria o nascer-do-Sol. Nada é garantido na fotografia de paisagem natural, dependendo do estado do tempo na madrugada, todo o percurso de ali chegar e a pernoita podia tanto resultar em vão no nosso objectivo principal, como possibilitar a realização de fotografias conforme desejado. Segundo as previsões haveria céu limpo, e embora os fortes nublados da noite nos levasse a hesitar, cerca das 4h30m da noite, acordo e observo o céu. Estrelas. Céu limpo. Tento dormir mais uma hora em mais animada esperança.

Acampamento nocturno Lagoa Serra da Estrela

Últimos preparativos, e chega o momento de deixar o acampamento e trilhar pelo escarpado da montanha nos 40 metros de desnível até à cota da lagoa. Entre rochas coseguimos encontrar desníveis aceitáveis, e com a percepção atenta ainda sob luz nocturna, alcançamos as margens.

Lagoa congelada do Peixão na madrugada de Inverno

A beleza da lagoa congelada e toda a mística deste covão selvagem oferece-se perante nós antes do nascer-do-Sol, numa paisagem de gelo e silêncio, cercada pelos picos de montanha que minutos mais tarde receberia a luz do lado Nascente. Formaram-se nuvens baixas, neblinas que atravessavam rápido, e todos os segundos a partir de agora contam para o sucesso da fotografia. Estudam-se enquadramentos “ao milímetro”, a expectativa era elevada, não estivéssemos perante autêntica jornada de aventura, lembrando as dificuldades passadas para estar ali presente naquele momento.

Toda a magia da luz estava para ocorrer nos instantes seguintes, e pelas 7h da manhã a montanha começa a brilhar à medida que o Sol se ergue. Durante 10 minutos a Natureza brindou-nos com espectaculares visões da lagoa.

Lagoa Mágica nascer do Sol na Lagoa do Peixão em gelo na madrugada de Inverno

“(…) porque o adjectivo herminio ou hermenho já de si quer dizer bravo, áspero, selvagem; e d´ahi vem chamar-se à cordilheira da Serra da Estrella os montes hermínios, como quem diz os montes bravios por excelência. […] Ravinas precipitosas, covões soturnos, penedias cahoticas, môrros giganteos, fantasias várias de uma creação aspérrima, que se acumulam, em tropel desordenado, ali teem também essas notas de contrastes delicados, com que a natureza vae dos bramidos do leão […] ao dolente ciciar da brisa.”

 

Parece que se vai formar nevoeiro, é altura de regressar ao acampamento, e seguir rumo à civilização. Durante a manhã, observamos a vereda de subida por onde passa o trilho de acesso à lagoa vindo de montante. Verificamos que é aparentemente impossível fazer o trilho, que se encontra com enorme camada de neve a inclinação muito acentuada.

Geleira Lagoa do Peixão montanha lagoa Glaciar

Cântaro Gordo Lagoa do Peixão

Levantar Tenda de manhã Inverno Serra da Estrela

“Subida da Montanha, o regresso”

 

Seguimos pela cumeada dos montes de granito até reencontrar o ponto de bifurcação das linhas-de-água onde passa o trilho. Subimos o vale. Em certa altura visitamos uma cascata e atestamos a garrafa com água tão fria como pura.

Estava uma manhã amena durante o regresso; recordo-a pela experiência, pela ligação à Serra, pelo silêncio do vale circundado pelos gigantes contrafortes de granito, pelo esforço esgotante de caminhar nestas condições, mas essencialemte pelo que não se consegue explicar. Ocasionalmente fotografamos.

Zimbro no granito detalhe Natureza Serra da Estrela

Boulders Granito encostas de neve Serra da Estrela

Subida de montanha encosta de neve

Fotografia de Inverno na Serra da Estrela subida de encosta de neve

Auto-retrato Paulo Lopes e Hélio Cristóvão Inverno Camping montanha

“A manhã estava esplêndida mas o ar vivissimo. Na frescura d’aquella madrugada, denunciava-se perfeitamente […] a Serra da Estrella […] ligada ao céu por grossos rôlos de nimbos.”


11h30, tinhamos chegado à estrada entre a Torre e Lagoa Comprida.

 

 

Texto por Hélio Cristóvão

Citações: Emygdio Navarro, “Quatro dias na Serra da Estrela”, 1884

Fotografias por Hélio Cristóvão e Paulo A. Lopes

©2011 direitos reservados aos autores

 

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