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Reportagem Workshop Sintra Cascais 16 Junho 2012

Workshop Fotografia Paisagem Sintra Cascais Retratos Helio Cristovao Fotografo

 

Ver as fotografias obtidas pelos participantes

 

9h30 da manhã e tudo a postos para um dia único.  

Quando no lançamento e divulgação desta atividade, anunciámos que o workshop seria um dia especial, traçámos de imediato planos para proporcionar aos nossos participantes mais uma experiência, essa sempre única, ao fotografar as paisagens mágicas da serra e praias de Sintra.

É hora de avançar com a componente teórica do workshop, que se proporcionará no exterior, em pleno coração da serra de Sintra. Sempre mística, sempre mágica. Um verdadeiro privilégio nela poder leccionar e partilhar a nossa paixão pela fotografia.

Muita vontade de aprender, trocar experiências e uma parte prática ainda durante a manhã a fotografar as árvores e granito da floresta, são horas aproveitadas ao máximo.

 

Helio Cristovao Arte Natureza Fotografia Multipla Exposicao Sintra Peninha

Pedro Monteiro  Workshop Arte Natureza Fotografia Cascais Sintra Peninha Serra

Na descida da serra, um momento que nos impressiona: percorremos as estradas pelo luxurioso verde da floresta, até certo ponto onde se avista o mar. É nesse momento que o impacto do horizonte limpo e um azulão do mar, nos surpreende qual contraste das naturezas da serra e mar do parque natural Sintra Cascais. Nunca esquecerei aquela luz. Recordamos o momento como uma nota de verdadeira beleza e deleite para os nossos olhos.

Dirigimo-nos ao almoço, e com 2 horas de descanso, ao sossego da refeição, restabelecemos energias para a metade que aí vem.

A próxima rota? As espetaculares arribas, enseadas e formações rochosas do território da Biscaia. com o recorte das imponentes falésias desde o Sul da Azóia, à Ponta do Assobio e arribas até à praia do Abano. O mar estava especial, cores azul, verde, turquesa. Fotografamos pelo cimo das arribas, quer planos amplos da paisagem, ou simplesmente uma rocha ao largo do mar.

Pedro Barradas Workshop Arte Natureza Fotografia Cascais Sintra Abano Guincho

Pedro Monteiro Cabo da Roca Workshop Fotografia Mar Paisagem Arte Natureza Fotografia Helio Cristovao

Pedro Barradas

Pedro Monteiro Cabo da Roca Workshop Fotografia Mar Paisagem Arte Natureza Fotografia Helio Cristovao

Chega a hora de seguir rumo à última sessão de fotografia do pôr do sol. Um destino tanto de conhecido pela sua singular beleza, como sempre único e aberto a nossas possibilidades e desafios fotográficos.

O céu está limpo, mas a luz é dourada. Composições simples mas fortes, enquadramentos inovadores, a luz da ‘blue hour’… é uma das horas mais especiais do dia, e os nossos participantes não poupam esforços para conseguir a foto.

Ildemarina Rodrigo Workshop Fotografia Praia da Adraga com Hélio Cristóvão Arte Natureza Paisagem

Luciano Magno Workshop Fotografia Praia da Adraga com Hélio Cristóvão Arte Natureza Paisagem

Luciano Magno Workshop Fotografia Praia da Adraga com Hélio Cristóvão Arte Natureza Paisagem

Pedro Barradas Workshop Fotografia Praia da Adraga com Hélio Cristóvão Arte Natureza Paisagem Sintra Cascais

Luciano Magno Workshop Fotografia Praia da Adraga com Hélio Cristóvão Arte Natureza Paisagem

Após fotografar o pôr do sol e crepúsculo do anoitecer reunimo-nos, tomamos um snack e temos um balanço de um grande dia de trabalho.

O balanço esse é de um workshop intensivo, com todos os esforços recompensados pelo empenho, em que cada participante, à sua maneira e visão, obteve a ‘sua’ foto. E isto é algo que nos enche de alegria.

14 horas após o ponto de encontro, é hora de dizer até breve. São 23h30 e todas as horas passaram sem darmos por isso…

 

Luciano Magno Workshop Fotografia Praia da Adraga com Hélio Cristóvão Arte Natureza Paisagem Sintra Cascais

Ver as fotografias obtidas pelos participantes

 

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Reportagem de Vindima e Paisagem Cultural de Alenquer

Um trabalho recente para uma empresa de enoturismo, a VitisRoute, levou-me a fotografar na vila que me viu crescer.

Aliando o meu estilo pessoal ao propósito do cliente, foi com particular entusiasmo que fotografei para este projecto, pelos motivos que envolveu; O trabalho consiste na reportagem de vindima, a produção, o equipamento, assim como parte do enquadramento de paisagem cultural da vila de Alenquer, a vila histórica, antiga.

Os meus parabéns ao João Carvalho por esta iniciativa, que vem beneficiar o concelho, valorizando turismo, paisagem e tradição.

 

«Em finais de Agosto a vindima manual permitiu levar à adega, em pequenas caixas, uvas de grande qualidade.

A colheita desengaçada, foi submetida a maceração a frio, prensagem e decantação do mosto. A fermentação operou-se em cubas inox (85%) e em meias pipas de carvalho francês (15%). Nestas, o estágio prolongou-se por sete meses em contacto regular e forçado com as borras fermentativas.

Na prova evidencia o magnifico perfil da casta Viognier, possuindo grande complexidade aromática, corpo volumoso e excelente acidez, num conjunto fino, intenso e longo.»

Viognier 2007, Quinta do Lagar Novo, Alenquer

 

Reportagem Alenquer Vila Vindima Cultura Castelo nocturno Hélio Cristóvão

Reportagem Alenquer Vila Vindima Cultura Hélio Cristóvão

Reportagem Alenquer Vila Vindima Cultura vinha Hélio Cristóvão

Reportagem Alenquer Vila Vindima Cultura tractor nocturno Hélio Cristóvão

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Cabo da Roca – Dia Europeu de Parques Naturais

Dia 24 de Maio, celebra-se o Dia Europeu de Parques Naturais (EUROPARC Federation). Por forma a assinalar este dia, preparei uma colecção de trabalhos, alguns mais antigos, outros mais recentes mas nunca antes publicados, ora fotografias no campo artí­stico ou mais documental, sendo que todas realizadas no Parque Natural onde desenvolvo mais actividade: Sintra-Cascais. Mais concretamente, o Cabo da Roca. Os motivos: as cascatas, granito e líquenes, arribas, grutas, Pôr-do-Sol e Pôr-da-Lua, crepúsculos da madrugada e da tarde, a flora marinha e as cores da Primavera.

 

O Crepúsculo nocturno na Malhada do Louriçal, 2008

Em 2009, escrevi sobre o Cabo da Roca:

«O Cabo da Roca tem a importância geográfica e o misticismo que lhe é inerente do inevitavelmente sempre citado local mais ocidental do Continente Europeu.
Quanto mais conheço desta área costeira, mais vontade tenho de lá voltar e fotografar, procurar melhor luz, estudar o assunto e ligar-me a essa Natureza, essa outra realidade costeira e selvagem.

A orla costeira está sempre a mudar, seja o ciclo natural dos seres vivos ao longo do ano, ou a quantidade de areia deslocada nas praias e enseadas, ou os calhaus rolados nas zonas de marés que se arrastam à força da água e modelam as baías. O Cabo da Roca nunca pára de me surpreender. Já o havia citado o Autor Português J. Romão, no livro fotográfico editado em 1998 sobre o local. As possibilidades fotográficas são inesgotáveis.
Mas os verdadeiros segredos deste litoral são conhecidos por quem nestes trilhos e rochas há mais anos caminha e permanece. Pescadores de elite, aventureiros fortemente ligados ao mar. Eles nomeiam locais sem nome, rochas e pesqueiros. Sobem por escadas de corda cravadas em rochedos e arribas, descem essas arribas imponentes com o auxílio de cordas com o perigo iminente de não haver uma segunda oportunidade. Desafiam as falésias com destino a locais que parecem acessíveis apenas na imaginação do Homem.

Fotografar no Cabo da Roca é um projecto nunca acabado. É um local com forte magnetismo que nos impele pela sua força – de passagem para o Atlântico – pela grandeza e aspereza das arribas e rochedos magníficos e biodiversidade que nelas habitam. É um local mágico».

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Passados 2 anos, o que mudou para além da persistência, foi a procura de ainda mais, a procura de novas composições e novos desafios, novas interpretações. Este local continua a exercer sobre mim uma busca continuada na fotografia. Quanto mais se aprende sobre ele, mais se verifica que ainda muito há a fazer – numa dimensão de fotografia apenas proporcional à criatividade.

 

Fica o álbum:
(Adobe Flash Player necessário)

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The European Day of Parks was launched by the EUROPARC Federation with the aim of raising the profile of Europe’s protected areas and generating public support for their aims and work“.

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O Adeus da Pedra da Ursa

Praia da Ursa… Quem a viu pela 1ª vez e não sentiu o esmagamento pela dimensão das suas pedras, das arribas, cascatas e vida selvagem, uma porção de paraíso ao largo do Cabo da Roca, um tesouro das suas paisagens selvagens, a ‘pérola’ do litoral Sintrense.
"A promessa de Luz" - Praia da Ursa, Inverno de 2010

"A promessa de Luz" - Praia da Ursa, Inverno de 2010

Quando recebi a notícia do desmoronamento da ‘Ursa do Norte’ só me lembrei de tudo o que não fiz em fotografia com esta Pedra mítica. E foi com tristeza que caí na realidade que essa possibilidade desapareceu para sempre…

 

Inesquecível, o momento em que conheci a Praia da Ursa e a sua pedra ícone, ainda a meia falésia pelos trilhos contemplava esta Titã, e a sua imponência, monolito gigânteo que ostentava 100 metros de altura, formado por invulgares geologias, talhado pelas erosões na incursão calcária nos maciços graníticos dos contrafortes litorais, de formas delicadas e grande beleza, fotogénica, mas evidenciando toda a rudeza selvagem da Roca… A partir desse momento, a praia da Ursa e a sua Pedra conduziram na minha carreira fotográfica de paisagem natural um importante destino, ao qual regressei inúmeras vezes para lá estar e para fotografar – entre o entardecer, várias madrugadas, algumas pernoitas, crepúsculos e nocturnos. É um local singular em Portugal.

A 28 de Abril, regressei para verificar o estado do rochedo. Foi uma visão tanto triste, como inquietante, como inevitável, a modelação da paisagem à força da natureza. E aconteceu nesta geração, o desabamento da Grande Ursa, que à vista se encontra erodida, nas suas faces e de aspecto frágil tanto pelos deslizamentos no rochedo como pela íngreme forma do pico restante.

A nova Ursa... a partir de 23 de Abril de 2011

Gaivotas sobrevoado o pico do rochedo, dão certa noção de escala...

A composição "clássica" de um miradouro privilegiado

A erosão no pico da Pedra da Ursa, fragilizado, parecendo que pode não faltar muito para tombar a qualquer instante

Os detritos depositaram-se no arco "túnel" dos escaladores. O "Portal Cósmico"

Como se fala desta pedra? Desta praia e desta paisagem? A Praia da Ursa inspirou artistas ao longo dos tempos, são sobretudo conhecidas várias obras de pintura desde há um século atrás. Desde a antiguidade, persiste a “Lenda da Pedra da Ursa”:

«Um par de enormes rochedos emergem da água, a norte da Praia da Ursa, mesmo junto a essa, evocando a primeira enorme rocha em seu perfil, a imagem de um urso altivo.

A lenda diz que há muitos milhares de anos, quando a terra era uma enorme bola coberta de gelo, aqui vivia uma ursa com os seus filhos. Quando o degelo começou, os Deuses disseram a todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas a ursa não o fez, pois ali tinha nascido e ali queria ficar.

Os Deuses enfurecidos transformaram a ursa em pedra e os seus filhos em pequenas rochas dispersas à volta da mãe, que ali para sempre ficaram dando assim o nome à praia – Praia da Ursa.»

Os Pináculos a Sul que delimitam a Enseada da Palaia... intactos e sempre imponentes

As cores do mar e a gaivota em busca do alimento

Outra lenda bem menos conhecida conta como terá sido realizada a primeira ascensão da Ursa:

«Há bastantes anos (menos do que milhares, com segurança), num raro dia de mar calmo, um pescador solitário atracou o seu pequeno barco junto ao flanco oeste do rochedo. Contornou a torre pelo anel da rampas mais suaves transportando um estranho e volumoso objecto debaixo dos braços. Destrepou a arriscada vertente de terra e pedras, chegando ao borde da face leste e esgueirou-se sobre o precipício de uns 25 metros. Duas grandes estacas foram cravadas entre pedras e uma enorme escada construída com ripas de madeira e cordas foi lançada ao vazio. Estava aberto o portal de acesso para a Ursa.

Pouco tempo depois, o mesmo homem resolveu subir até ao cume do rochedo. Procurou a secção de parede que lhe parecia ser a linha de mais fácil ascensão e lançou-se à aventura, em solo e por entre blocos decompostos. A emocionante escalada finalmente terminou e, o pescador pôde respirar fundo e apreciar a vista tão inebriante, tão sublime.

Levou a mão ao bolso e retirou um punhado de moedas. Utilizando uma pedra martelou algumas moedas em finas fissuras dos rochedos do topo, como uma espécie de oferenda a um qualquer Deus que o permitira sobreviver à arriscada ascensão.

Alguns minutos depois voltou a descer, “a pêlo”, ou com a ajuda de uma velha corda (dependendo da versão adoptada).

Após essa primeira vez, o homem foi voltando periodicamente ao rochedo da Ursa, aproveitando a maré vazia e subindo pela fantástica escada de cordas, dirigindo-se ao lado oeste da formação, onde a rebentação anuncia a melhor pescaria.

De quando em vez, enquanto esperava que a maré voltasse a vazar, antes que a Pedra da Ursa deixasse de ser ilha, o pescador voltava a escalar até ao topo, para apreciar as vistas, para viver uma nova aventura. Sempre que o fazia, deixava a sua oferenda de moedas, cravadas nas mais altas rochas que lograva alcançar.

Hoje em dia, cada vez que visitamos a praia da Ursa, podemos apreciar a incrível escada de cordas que os pescadores locais costumam utilizar. E, se nos atrever-mos a escalar até ao cimo, ali estão as moedas cravadas, desde os tempos dos escudos. Fábula ou realidade?»

Fonte: Blog «Rocha podre e pedra dura», artigo por Paulo Roxo

Ainda que com a luz dura do Sol da tarde, há lugar a composições mais abstractas e criativas tendo o mar como motivo

Primavera costeira e a vida desta praia selvagem

Como se fala desta praia? É simbólica, as suas pedras colossais, pesqueiros, cordas, escadas, cabanas e trilhos escarpados, os dos pescadores, que persistem desde os antigos. É uma praia especial para cada um de nós, que com ela se liga numa natureza idílica, que tem tudo o que de espirituoso significa o encontro do ser com a terra, com a paisagem… uma paisagem quase “lunática” como alguém disse.

 

Notícias e ligações:

“O Despertar e Último Momento da Praia da Ursa”

“Os arcos da Praia da Ursa”

“A Natureza continua a moldar a imagem da Praia da Ursa”

Texto e fotografia: ©Hélio Cristóvão

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Exposição de Fotografia “Vale do Guadiana” – São Domingos

Hotel de São Domingos apresenta:


Exposição de Fotografia “Vale do Guadiana”

Por Hélio Cristóvão

“Alentejo. A imensidão da planície de ondulado suave, onde maior é o silêncio nos campos e as árvores testemunham o tempo, e por vezes apenas há o som da brisa tocante nos ramos e as aves. Onde se sente a virtude da Terra e da paisagem, no Alentejo… o céu é maior. “

O Hotel de São Domingos acolhe a exposição “Vale do Guadiana”, desde o dia 21 de Dezembro de 2010. É com enorme gosto que se apresenta este novo capítulo na mostra de obras de fotografia de Natureza e Paisagens deste Baixo Alentejo.

Em apontamento pessoal, o São Domingos, situado em pleno sossego do campo numa localização privilegiada com acesso junto da aldeia mineira, pela sua arquitectura, envolvência, espaços exteriores e história, é uma obra de arte em si. Não fossem o requinte dos espaços e decoração, ou os motivos originais do antigo Palácio – que após restauro aliou ao estilo antigo, em perfeita harmonia traços mais modernos – Suficientes, é o próprio ambiente, acolhimento e simpatia que o distinguem, todavia, não estivéssemos a falar do Alentejo, em boa verdade… O São Domingos é um local marcante.

Sobre a fotografia do “Vale do Guadiana”:

A mostra de fotografia de Natureza representa a busca dos cenários selvagens na rota do Rio Guadiana e a descoberta das paisagens onde este atravessa as Serras de Mértola e Serpa. Contempla paisagens singulares de planícies, Minas de São Domingos e Pulo do Lobo, assim como composições abstractas dos tesouros naturais do Grande Rio do Sul.

Clique nas imagens para versão maior e descrição:

“Em direcção ao Vale do Guadiana selvagem, ravinas, açudes e antigos moinhos de água no leito a jusante do grande vale do Terges… Lá em baixo é escuro e silencioso. Só se ouvem peixes que por vezes saltam e os sons das aves. Desconhecidos, ainda permanecem os acessos por trilhos nas escarpas ao leito do rio, que serviam de portos pesqueiros na época de pesca do Sável… Encontram-se barcos antigos atracados, cordas nas rochas e autênticas praias com areia depositada nas margens do rio, essencialmente onde o vale curva, por depósito de sedimentos.”

Nota do autor, 22 de Outubro de 2010
Leia uma experiência no Vale do Guadiana:
“No coração do Alentejo Selvagem”

Sobre São Domingos, minas e hotel:

Próximo da antiga mina de pirite e cobre, a maior da Península Ibérica, que se manteve em exploração desde meados do séc. XIX até 1966, o Hotel é a edificação resultante do restauro ao antigo Palácio que servia a administração inglesa, localizado na então zona nobre do povoado. A construção original data de 1875, e assinala os motivos de arquitectura alentejana e pós-vitoriana.

Situado próximo da reserva natural do Vale do Guadiana, é actualmente circunscrito por 5000 hectares de esplêndida planície. Mértola fica a cerca de 18 km. A praia da Tapada Grande localiza-se apenas a aproximadamente 50 m de distância. E é um ponto de partida para as margens do Guadiana selvagem, para percursos por trilhos de Natureza em apelo à descoberta das marcas da antiguidade, construções artesanais, moinhos de água e açudes do Rio.

 

“O São Domingos dispõe de acomodações boutique, combinando decorações alentejanas com estilo vitoriano tardio. Apresenta um observatório privado onde poderá passar noites a observar estrelas e uma reserva de caça.

Os elegantes quartos do Hotel São Domingos incluem uma casa de banho de luxo com banheira de hidromassagem, outros abrem-se para varandas mobiladas com vista para a piscina ou praia fluvial.Os hóspedes podem desfrutar de uma fusão de pratos tradicionais do Baixo Alentejo e de cozinha internacional.

O bar à beira da piscina, Bar Sombra, serve bebidas locais e bebidas espirituosas.

O Centro Holisis do hotel disponibiliza diversas terapias, incluindo massagens orientais, reflexologia e terapia musical. Os peritos profissionais podem aconselhar programas nutricionais.

 

Está a poucos passos do centro da aldeia Mina de São Domingos e há estacionamento privado disponível no local.










A Exposição pode ser visitada em qualquer altura, dentro do horário de funcionamento do hotel.

Links rápidos:

  1. Página do Evento no Facebook
  2. Reportagem de Viagem “Memórias do Guadiana” publicada no website Rotas e Destinos
  3. Página do hotel no Portal de Turismo Hotel Guide

Contactos:

Websites:
www.heliocristovao.net

www.hotelsaodomingos.com

e-mail:
e-mail Hélio Cristóvão

e-mail Hotel São Domingos

FaceBook:
www.facebook.com/hotelsaodomingos

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Crónica de Fotografia de Natureza

Viagem, aventura e fotografia nas paisagens costeiras selvagens a Norte do
Cabo de São Vicente, Portugal

Artigo escrito a 28.04.10 por Hélio Cristóvão

Crónica de Fotografia de Natureza

As histórias, emoções, perigos e muitos aspectos da fotografia de paisagem natural mais extrema em meio selvagem na Jornada de fotografia na Costa Vicentina no decorrer do pico de cores de Primavera, pelo fotógrafo de Natureza Hélio Cristóvão.

Os motivos a fotografar:

  • detalhes de escarpas, rochedos, arrifes;
  • grandes vistas, plantas silvestres nas arribas costeiras;
  • enseadas e praias nas marés baixas à hora do nascer pôr-do-Sol;
  • Recorte dos montes e vales costeiros, revestidos da vegetação de Primavera.

Locais:

  • Enseadas e escarpas a Norte do Cabo de São Vicente;
  • Costa selvagem entre Murração/Praia da Barriga e Castelejo;
  • Costa selvagem entre a Grota/Torre de Aspa e Malhão do Infante.

Na Primavera, durante as últimas semanas de Abril, altura em que as cores das planícies, serranias e orla marítima estão ao rubro, estabeleci o meu regresso às paisagens costeiras de espectacular beleza e dramatismo. Aproveitando a intensidade da Primavera, optei por explorar as arribas altas e escuras da Costa Vicentina, que nesta altura do ano se encontram encimadas por extenso coberto de vegetação em flor.

O plano, três a quatro dias de fotografia, permanecendo no terreno desde o nascer ao pôr-do-Sol, explorando zonas costeiras desconhecidas, por vezes das mais inacessíveis, percorrendo topos de arribas, tendo a vegetação como motivo essencial.

Este é o relato das últimas horas desta jornada, o último dia, antes do regresso de 400 Km a casa. É o relato de fotografar ao Pôr-do-Sol de 24 de Abril de 2010, onde sem que eu ainda o soubesse, iria experimentar uma perigosa e arriscada descida e subida de penhasco, para alcançar uma enseada situada entre a Carrapateira e Vila do Bispo.

Durante todo esse dia a luz nunca foi ‘boa’ para fotografar paisagens amplas e grandes vistas, há que conhecer a qualidade da luz (própria) para os vários motivos, e o céu muito nublado – nuvens altas, completamente coberto, sem textura – um céu branco, que não apresenta interesse ao incluir numa fotografia de paisagem. Esta luz difusa e cálida, no entanto, ao fotografar detalhes de Natureza, plantas e perspectivas mais “fechadas” permite evitar sombras e grandes contrastes, podendo vir a gerar bons resultados.

Silver Eye

Silver Eye

Durante a tarde percorri a pé trilhos ao longo dos topos das arribas entre as Praias da Barriga e Murração, ocasionalmente descendo a algumas praias, entre elas o Mareadouro da Escada que implica uma descida de 100mt. de altura, apenas possível com o auxílio de cordas que os pescadores lá fixaram, vencendo grandes desníveis e inclinações sob um piso de xistos erodidos. Lá em baixo, fotografei a falésia que delimita a praia a Sul, tendo em primeiro plano rochas cobertas de musgos, cujos tons verdes por vezes tornavam-se quase fluorescentes, devido à suavidade da luz! As cores estavam vivas.

Subi a escarpa, era hora de me dirigir para Norte, e, contornando os três grandes vales seguintes desço novamente, atravessando o leito do Barranco da Pena Furada. Sigo em direcção a uma praia ainda a Sul de Murração, onde um gigante pináculo piramidal ostenta cerca de 21 mt de altura. O céu não ajudou a fotografar a paisagem, e entretanto chegava a chuva. Nestas ocasiões é importante estar preparado. A máquina fotográfica deve ser protegida com capa impermeável, e o fotógrafo também! Um casaco corta-vento impermeável, leve e que não comprometa a maleabilidade é aconselhável. Fotografo o cenário idealizando já uma transformação para o preto-e-branco, acrescentando o necessário dramatismo entre a claridade do céu e a escuridão global na cena.

Dark Guardian

Dark Guardian

São 18:30h, tenho de tomar uma decisão dentro dos próximos minutos: Espero que as condições nesta praia melhorem – que o céu se apresente com algum detalhe, nem que por momentos apenas umas nuvens surgissem – ou sigo de imediato para a subida que me deu acesso à praia, voltando para trás, uma vez que o local onde quero fotografar ao Pôr-do-Sol é ainda distante para Sul. Nesta última alternativa, há ainda que contornar um pequeno vale que fica na outra vertente da cumeada da praia onde estou, mais, existe ainda uma descida de falésia cujo trilho ainda não conheço completamente. O tempo está a ficar escasso. Volto para trás, e observo o horizonte. Após um dia sem qualquer dramatismo no céu, agora observa-se alguma luz dourada que já está a aparecer. Uma luz típica de trovoada. Mas parece que as condições estariam a mudar. Reúno todas as minhas energias e subo vigorosamente, quero chegar ao destino e tenho pouco tempo.

Spiritual Gate

Spiritual Gate

Estou na crista da escarpa onde tem origem o trilho. A luz ainda está muito escura, chove, o chão está escorregadio. Estou a 105 mt. de altura sobre o oceano. Lá em baixo, vejo a escarpa e o local exacto onde pretendo fotografar. Mesmo após a descida, ainda haveriam cerca de 350 mt. de caminhada na enseada, sempre sob rochas, por vezes polidas e escorregadias.

Durante os primeiros 30 mt. de descida, estou face ao primeiro grande perigo: devido às chuvas fortes ocorreram deslizamentos na arriba, e o trilho da largura de 2 pés juntos foi cortado e divide-se à distância de pequenos saltos em alguns metros, mesmo em cima da vertiginosa escarpa, quase vertical, a dezenas de metros sobre o mar e rochas; É dos momentos em que é preciso acreditar. Fazendo equilíbrio para o penhasco tentando agarrá-lo bem… atravesso com calma, e “sangue frio”; preferia não pensar por agora que teria de cá voltar aquando da subida.

Chego ao patamar dos 70mt. de elevação, é uma proeminência, um “pequeno” cabo que se estende para o mar e termina lá bem em baixo num pesqueiro de camadas estratificadas de xisto, a “Furna do Mirouço”. Quando chego ao pesqueiro, verifico que afinal… ainda estou a uns 50 mt. de distância da enseada para trás de mim! E talvez a uns 15 mt. de altura! E já não há trilho… A única solução é caminhar sobre os patamares da rocha, que se ergue em camadas laminadas, escorregadias. Avanço pela rocha e detecto uma corda, muito difícil de alcançar. Está cravada com ferros em vários pontos, e o objectivo é atravessar lateralmente – contornando a rocha. Não há alternativa. Sem essa corda, seria impossível atravessar. Com todo o cuidado avanço, ainda muitos metros acima do mar, mas com espaço apenas para um pé de cada vez e com a corda a segurar-me. Após a corda, há que saltar para o seixo rolado da enseada.

Wild Glow

Wild Glow

Estou sozinho na verdadeira costa selvagem. Com a mochila às costas e tripé empilhado nela – mais de dúzia de quilos de equipamento, salto de rocha em rocha, a bom ritmo até chegar à ponta de uma das mais impressionantes escarpas da Costa Vicentina. Chegar a este ponto é um feito de experiência acumulada. Uma inexplicável motivação leva-me a pressentir que iria fazer a fotografia! Estou de frente a escarpa dos Caixões. O mar está agitado, mesmo ali à beira do oceano, neste local é preciso observar com muita atenção o comportamento das ondas fortes, estou em plena zona de rebentação, ocasionalmente pego no tripé com a máquina e dou uma corrida para me afastar das maiores vagas. Começa a chover, e fica bastante difícil estudar enquadramentos e compor sobre estas condições. Eu estava a experienciar em tempo real o expoente máximo do puro dramatismo da Natureza, à medida que a chuva fraqueja e cessa, por trás de mim revela-se agora a formação de um espectacular arco-íris acima da linha costeira das arribas! A luz começa a transformar-se, o céu está cada vez a ficar menos nublado e a começar a explodir de cor à medida que o Sol baixa no horizonte. Começo a fotografar.

Optei por voltar para trás até ao local onde havia descido à enseada, mesmo sabendo que ainda não tinha atingido o pico de cores que aquela luz iria oferecer no crepúsculo. Mas não havia tempo. O local é perigoso e precisava de voltar a subir a arriba. Eu já tinha feito a minha fotografia aproveitando vários momentos de luz mágica. Chegando ao limite a Sul das arribas, antes de iniciar a subida, assisto agora a um céu inesquecível, de cores espectaculares, que tenho de fotografar. Monto novamente tripé e máquina. Sem perder muito tempo, e em questão de poucos minutos fiz ainda a última fotografia, incidindo sobre um rochedo que optei por centrar na composição.

Twilight Claw

Twilight Claw

Vou subir por um local diferente, há uma alternativa, uma corda que se estende por vários metros de altura, sem sequer ver o que está a seguir, não há trilho visível, mas ainda assim arrisco. Prefiro arriscar as minhas hipóteses ao invés de voltar à corda e rochas por onde desci. Agarro esta corda e mais uma vez avanço à confiança. Chegando ao fim desta corda, não há caminho perceptível daqui para cima. Está a anoitecer e sinto-me encurralado. Resulta a impressão que dada a acentuada inclinação deste precipício, o rochedo em erosão deslizou, e onde poderia haver um trilho visível, já não existe. Este foi o momento emocionalmente mais forte e exigiu muito controle, observo à minha volta, e vou confiar toda a minha mente à subida. Prontamente começo a escalar à mão livre, agarrando ramos cravados na terra, agarrando rocha e a própria terra, na subida quase vertical, apoio os pés no que me pareciam marcas semelhantes a pequenos degraus da espessura de um pé como que definindo um carreiro de passagem; Consigo vencer esse trecho de subida e volto ao caminho inicial! Dificilmente voltarei a este local sem as minhas próprias cordas e outras medidas de segurança. Após os restantes obstáculos, senti enorme alívio ao chegar ao carro; a aventura, marcante.

A Costa Vicentina tem as paisagens costeiras da contemplação e do fascínio, mas apenas uma mão de praias conhecidas e facilmente acessíveis, no entanto, praticamente toda a orla costeira, por mais elevadas que sejam as escarpas, têm um ou mais acessos. Acontecem situações inacreditáveis e há descidas que deixam a pensar como é possível? Mas os pescadores traçam os seus caminhos, e a dezenas de metros, com ou sem cordas, pelas arribas e através de carreiros entre rochas descem aos pesqueiros.

No campo, em acção e nas paisagens do Sudoeste de Portugal

No campo, em acção e nas paisagens do Sudoeste de Portugal

Texto e fotografia ©Hélio Cristóvão
Revisão técnica por João Matos

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