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Apresentação Workshop Serra da Estrela: Lagoas na Primavera

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Introdução

As lagoas glaciares da Serra da Estrela são, sem dúvida, um dos ex-libris da Serra da Estrela e mesmo do nosso país, pois constituem habitats extremamente raros, aglomerando ecossistemas e taxionomias únicas em Portugal e, em determinados pontos, únicos em todo o Mundo.

As lagoas da Serra da Estrela sempre foram foco da imaginação humana, estando associadas a histórias inverosímeis, da qual a mais extraordinária, aquela que afirma a existência de possíveis ligações ao mar.

Desde dos tempos clássicos que as lagoas da Serra da Estrela “enfeitiçam” as nossas mentes, quer pela natureza das suas águas, passando pelas suas indeterminadas profundidades, quer pelas temperaturas frias e arregaladas das suas águas, tal como refere Duarte Nunes de Leão, na Descripção Corographica do Reino de Portugal, datada de 1610:

“hua grande lagôa de agora estanque que tem circuito muitos passos, de tal natureza, que quando ha tempestade no mar, agoa della se move, & embravesse como o mesmo mar, stãdo aquella alagoa afastada delle alguas legoas…” Adriventura ©

 

Hélio Cristóvão Paisagem natural Workshop Serra da Estrela Lagoa dos Cântaros Montanha

Helio Cristovao Workshop Serra Estrela Primavera Lagoas Torre Loriga  Paisagem natural

Helio Cristovao workshop paisagem natural Serra da Estrela Lagoas Torre Loriga Primavera

Helio Cristovao Vale do Rossim workshop Serra da Estrela  paisagem natural  Lagoas montanha neve reflexo

 

Solicite aqui programa detalhado com todas as informações

 

Contactos:
Tel: 918 238 779 | Tel: 919 462 183
email: contacto@hcristovao.ptws.net

 

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XXVI Concurso Fotográfico de Manteigas 2012

No âmbito da 26ª edição do Concurso Fotográfico de Manteigas, duas fotografias da autoria do fotógrafo Hélio Cristóvão foram premiadas, obtendo 1º e 3º lugar na categoria «Água» no coração da Serra da Estrela. As fotografias vencedoras:

 

Serra da Estrela Lagoa do Peixao Primavera Madrugada Helio Cristovao

«Madrugada na Lagoa Glaciar»

Serra da Estrela Nave Santo Antonio Cântaros Helio Cristovao

Cântaros

 

Mais informações sobre estas fotografias aqui: «Madrugada na Lagoa Glaciar» e «Cântaros»

As fotografias estarão expostas a partir do próximo dia 24 de Abril no hall do edifício da Câmara Municipal de Manteigas.

A cerimónia de entrega de prémios decorre no próximo dia 25 de Abril pelas 16h no Auditório do Centro Cívico de Manteigas, onde estarei presente entre mais autores. Aproveito desde já para convidar todos os interessados a marcar presença; celebrar as paisagens naturais da nossa Serra da Estrela, e partilhar paixão pela fotografia entre as boas gentes da Serra é um verdadeiro privilégio.

Auditório do Centro Cívico de Manteigas | Manteigas, Rua 1º de Maio | T. 275 980 000

 

ACTUALIZAÇÃO

Galeria de Imagens da cerimónia de entrega dos prémios:

 

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Ver Foto-Reportagem completa Aqui

 

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Editorial Publicações Fotografias na Serra da Estrela

Manteigas Município Publicações Vale GlaciarA Edição da revista ‘Vale Glaciar’ nº1 conta na contracapa com fotografias realizadas na Serra da Estrela – Lagoa do Paixão e Lagoa dos Cântaros pelo fotógrafo Hélio Cristóvão e Nave de Santo António por Marco Santos Marques.

A reportagem sobre a obtenção das fotografias nas lagoas geladas em pleno Inverno, escrita pelo autor: ‘A Lagoa Glaciar’

 

Revista Acontece 2011 Semestre 2

Fotografia ‘Lagoa Encantada’ (Lagoa do Peixão, Inverno 2011) da autoria de Hélio Cristóvão publicada na edição Semestral da região de Manteigas ‘Acontece’ 2011 2º Semestre. Capa: Miguel Serra

 

 

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Serra do Gerês. Outono

Breve portefólio de fotografias inéditas, ora nunca publicadas ou reeditadas, que resulta de uma visita ao baú de fotografia realizada no Outono desde os últimos três anos no parque nacional Peneda-Gerês.

 

Gerês Portela de Leonte Outono Faia Dourada

 

Gerês Mata de Albergaria Outono Rio Homem

 

Serra do Gerês Folha Carvalho alvarinho Magia do Outono

 

Gerês Mata de Albergaria Outono

 

Serra do Gerês Portela de Leonte Magia do Outono castanhas

 

Gerês Mata de Albergaria Outono Rio

 

Serra do Gerês Ponte Rio Homem

 

 

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A Lagoa Glaciar

Fotografia, paisagem e aventura

Nas Montanhas do Parque Natural da Serra da Estrela

 

Relatos de uma viagem fotográfica ao coração da montanha durante o Inverno, nela pernoitando e trilhando caminho em direcção à luz da madrugada na lagoa do Peixão.

 

“Chegámos à caldeira da lagoa. Esta caldeira é muito semelhante à da lagoa escura; mas a paisagem da ladeira, que desceramos, e dos fraguedos superiores, que a circundam, é muito mais variada e formosa. (…) Na penedia do lado nordéste, e que é toda revestida de zimbros e urzedos, entalha-se uma escadaria natural, muito íngreme e estreita, mas de ascensão segura. É essa a única vereda praticável, para se sair da lagoa do Peixão em direcção aos Barros Vermelhos.”

Emygdio Navarro, “Quatro dias na Serra da Estrela”, 1884

Lagoa do Peixão - Serra da Estrela

Além dos fotógrafos envolvidos e algumas pessoas ligadas a actividades de montanha, eram poucos os que conheciam a origem desta aventura, nem os amigos mais chegados sabiam desta vontade. Desde há dois anos que este “projecto” existia em mente dos três fotógrafos de Natureza portugueses, Nuno Luís, Hélio Cristóvão e Paulo Lopes, que no Solstício de Verão de 2009, no decorrer do pico de cores de Primavera serrana,  fotografaram a Lagoa do Peixão à luz do nascer-do-Sol, para tal pernoitando na montanha apenas com esse propósito. E desde essa data, que o regresso à lagoa havia sido idealizado; mas um regresso sob a luz do Inverno, onde se imaginava a paisagem do covão e os picos da montanha cobertos de neve… como que uma ideia persistente, este projecto nunca nos abandonou, até que dois anos depois, as condições se “proporcionaram”. Então, a pura beleza e magia da Natureza da emblemática lagoa Glaciar do Peixão iria em breve abandonar o nosso imaginário na data em que Hélio Cristóvão e Paulo Lopes se aventuram na montanha para de lá trazer a fotografia ao nascer do Sol em pleno Inverno.

 

“12h de 2 de Março de 2011, viagem de partida da cidade rumo à montanha”

 

5 dias antes cerca das 5h da madrugada na Serra da Estrela, eu dava início à ascensão da montanha pelo trilho junto ao Rio Zêzere em direcção ao Cântaro Gordo, e à lagoa no seu sopé, para assistir e fotografar à magia do nascer-do-Sol que viria a acontecer e a iluminar os picos de montanha (Um obrigado ao Pedro Santos pela disponibilidade e força de vontade, que ao seu modo fez uma foto no vale selvagem). As condições do trilho pela madrugada revelaram-se numa progressão muito difícil, nas altitudes mais baixas com finas camadas de neve entre arbustos e rocha, onde facilmente se enterrava nos buracos cavados pela caminhada, ora havia o gelo formado na noite tornando o piso escorregadio e perigoso em cada passo. Mas, excluindo a pernoita, era a única forma de obter a fotografia que pretendia. E portanto avancei. Apenas 6 horas e 30 minutos depois estava de regresso ao ponto de partida… exausto, mas “realizado” com a concretização do objectivo.

Experimentado estas condições, e com o intuito do regresso à Lagoa do Peixão, conclui que dado o relevo, terreno acidentado e inclinações acentuadas, seria aparentemente impossível descer o trilho gelado pela noite (num futuro que era próximo, havia de constatar in situ esta notação); se fazê-lo de madrugada estava excluído, seria necessário pernoitar na montanha, e com a relativa “urgência” dadas as condições meteorológicas – Havia que aproveitar a neve recente e os dias de “céu limpo” ou pouco nublado (segundo previsões), em que existia mais probabilidade de ocorrência de luz a incidir nas montanhas ao nascer e pôr do Sol. Estava traçado o destino. Eu e o Paulo Lopes seguimos em direcção à Lagoa durante o entardecer, com os quilos de equipamento fotográfico, tripés, mochilas, lanternas, sacos cama e tendas, alguma comida para cozinhar e 1,5L de água.

Serra da Estrela montanha selvagem

Serra da Estrela montanha selvagem

 

“16h e temperatura de -3ºC. A descida do trilho de montanha”

 

“(…) como tudo aqui symboliza iniciação da vida do céu. Aqui os largos horisontes, os pontos de vista elevados, as seremidades magestosas, a água e o ar puríssimos, a ausência da lama e das podridões […] subindo intrepidamente às montanhas onde aliás a neve tem scintillações e abysmos.”

Deixando para trás todos os confortos e cedendo os instintos ao encontro da aventura, inicia-se caminhada na serra gelada. Pela altitude dos 1850 mt. e percorridos já os primeiros 400 metros para além da estrada entre Torre e Lagoa Comprida, chegamos aos limites dos enormes contrafortes de granito que formam as ravinas mais acentuadas a montante das linhas-de-água afluentes do Vale da Candeeira. O trilho possível desenvolve-se ao longo de um covão, ora pela linha-de-água por vezes quase no seu leito, ora a “meia encosta” junto a paredes rochosas ou pelos topos dos respeitáveis “boulders” e lages de granito.

Avistam-se algumas mariolas, as que não estão cobertas entre o manto de neve, e em vários pontos do percurso, são da maior importância, pois conduzem pelo trilho “certo”.

6787 Serra da Estrela montanha granito e neve

O piso era inevitavelmente muito escorregadio devido à película de gelo mantida mesmo durante o dia nas vertentes viradas mais a Norte, que não recebem muita luz do Sol – apesar disso foi um dia de muito frio – mesmo a neve mais exposta ao Sol durante o dia era de uma progressão difícil, não tinha textura, atrito. Deslizar sobre penedias mais íngremes é por vezes a única solução de descida ao ponto seguinte, a inclinação mais acentuada do terreno em zonas cobertas de neve não deixa alternativa senão deslizar agarrando arbustos para travão, ou rochas, que por vezes contornamos pelos “valados” fundos que se formam entre a neve e a rocha.

Num dos deslizamentos mais íngremes e longos onde adquiri grande velocidade, a violência de me prender a um arbusto foi tal que rasguei um dos dois pares de calças em 30cm, continuando assim a jornada…

Aproximadamente com 1200 metros de percurso volvidos, o trilho estabelece-se num esporão da montanha, uma certa área de planalto à cota 1700mt. onde bifurcam duas linhas-de-água. Avista-se uma mariola, mas a partir deste local, o terreno ganha ainda mais dificuldade. Descemos 150 metros de desnível, não há mais mariolas visíveis doravante; avançamos por granito e gelo pela esquerda da ravina com cumeada a Norte da Lagoa do Peixão. Ainda não sabíamos que seria o nosso maior erro do percurso, e ainda menos sabíamos que se não fosse tal erro, pelo trilho “normal” não seria possível sequer a alcançar a lagoa…

O entardecer faz-se rápido entre o céu nublado na plena montanha, quando alcançamos um ponto onde não é possível avançar mais. Estávamos a meia escarpa entre uma linha-de-água a Norte, onde se avista o cume do Piornal e a magestosa encosta do Covão da Candeeira. Mas não tínhamos chegado à lagoa, e a luz começara a diminuir. Ponderamos acampar no local, tentar regressar, ou explorar a área… O Paulo avança para Sudeste, atravessando transversalmente a montanha pela cumeada, e é nesta investida que se descobre que a lagoa do Peixão estava 40 metros abaixo de nós.

 

“Do anoitecer à madrugada, temperatura de -15ºC”

 

“A meia altura d’essa escadaria há um como que terraço, uma rocha espalmada, d’onde se abrange toda a perspectiva da lagôa e suas cercanias: a alguma distância o bojo apopletico do Cantaro Gordo; ao lado direito a ladeira de verde esmeralda e glauco, com as suas caprichosas sinuosidades e filetes de agua; ao lado esquerdo, o valle da Candieira, para onde a lagôa despeja o excedente das suas aguas, e que constitue o ramo norte das nascentes do Zezere. É de uma belleza de paisagem e colorido verdadeiramente magnificente!”

Serra da Estrela Cantaro Gordo

Observando a vereda com a Lagoa congelada na sua base e já ao anoitecer, planeamos descer às margens da lagoa na madrugada uma hora e meia antes do nascer-do-Sol. Entretanto, montamos acampamento num socalco plano com uma vista priviligiada para a montanha… e as horas seguintes levam-nos à segunda viagem, atravessando o gelo da noite, com fogueira e culinária. A 1000 mt. de altitude abaixo de nós, em Manteigas estavam previstos -10ºC, no acampamento, estima-se que fizessem -15ºC. As tendas cobrem-se rapidamente de gelo, e apenas o calor da fogueira aquece o espaço e nos serve os propósitos de culinária e obtenção de água para beber…

acampamento na montanha Lagoa do Peixão Inverno

fogueira no granito camping selvagem

aquecer na fogueira camping selvagem

Helio Cristovao aquecer na fogueira camping selvagem

lume fogueira campismo selvagem

Aquecer comida na fogueira à noite na montanha

caçarola ferver neve água potável

Aquecer na fogueira noite Inverno na montanha

colher neve na caçarola para ferver
“A Lagoa Glaciar”

 

São 5h30m da manhã. O frio tinha sido suportado entre vagas de vento mais forte e a tenda gelada nas últimas horas. Durante a noite, nuvens e nevoeiro a certa altitude tapavam a visibilidade das estrelas, por vezes noite escura, noutros momentos brechas de céu estrelado; o mais preocupante seriam as condições em que ocorreria o nascer-do-Sol. Nada é garantido na fotografia de paisagem natural, dependendo do estado do tempo na madrugada, todo o percurso de ali chegar e a pernoita podia tanto resultar em vão no nosso objectivo principal, como possibilitar a realização de fotografias conforme desejado. Segundo as previsões haveria céu limpo, e embora os fortes nublados da noite nos levasse a hesitar, cerca das 4h30m da noite, acordo e observo o céu. Estrelas. Céu limpo. Tento dormir mais uma hora em mais animada esperança.

Acampamento nocturno Lagoa Serra da Estrela

Últimos preparativos, e chega o momento de deixar o acampamento e trilhar pelo escarpado da montanha nos 40 metros de desnível até à cota da lagoa. Entre rochas coseguimos encontrar desníveis aceitáveis, e com a percepção atenta ainda sob luz nocturna, alcançamos as margens.

Lagoa congelada do Peixão na madrugada de Inverno

A beleza da lagoa congelada e toda a mística deste covão selvagem oferece-se perante nós antes do nascer-do-Sol, numa paisagem de gelo e silêncio, cercada pelos picos de montanha que minutos mais tarde receberia a luz do lado Nascente. Formaram-se nuvens baixas, neblinas que atravessavam rápido, e todos os segundos a partir de agora contam para o sucesso da fotografia. Estudam-se enquadramentos “ao milímetro”, a expectativa era elevada, não estivéssemos perante autêntica jornada de aventura, lembrando as dificuldades passadas para estar ali presente naquele momento.

Toda a magia da luz estava para ocorrer nos instantes seguintes, e pelas 7h da manhã a montanha começa a brilhar à medida que o Sol se ergue. Durante 10 minutos a Natureza brindou-nos com espectaculares visões da lagoa.

Lagoa Mágica nascer do Sol na Lagoa do Peixão em gelo na madrugada de Inverno

“(…) porque o adjectivo herminio ou hermenho já de si quer dizer bravo, áspero, selvagem; e d´ahi vem chamar-se à cordilheira da Serra da Estrella os montes hermínios, como quem diz os montes bravios por excelência. […] Ravinas precipitosas, covões soturnos, penedias cahoticas, môrros giganteos, fantasias várias de uma creação aspérrima, que se acumulam, em tropel desordenado, ali teem também essas notas de contrastes delicados, com que a natureza vae dos bramidos do leão […] ao dolente ciciar da brisa.”

 

Parece que se vai formar nevoeiro, é altura de regressar ao acampamento, e seguir rumo à civilização. Durante a manhã, observamos a vereda de subida por onde passa o trilho de acesso à lagoa vindo de montante. Verificamos que é aparentemente impossível fazer o trilho, que se encontra com enorme camada de neve a inclinação muito acentuada.

Geleira Lagoa do Peixão montanha lagoa Glaciar

Cântaro Gordo Lagoa do Peixão

Levantar Tenda de manhã Inverno Serra da Estrela

“Subida da Montanha, o regresso”

 

Seguimos pela cumeada dos montes de granito até reencontrar o ponto de bifurcação das linhas-de-água onde passa o trilho. Subimos o vale. Em certa altura visitamos uma cascata e atestamos a garrafa com água tão fria como pura.

Estava uma manhã amena durante o regresso; recordo-a pela experiência, pela ligação à Serra, pelo silêncio do vale circundado pelos gigantes contrafortes de granito, pelo esforço esgotante de caminhar nestas condições, mas essencialemte pelo que não se consegue explicar. Ocasionalmente fotografamos.

Zimbro no granito detalhe Natureza Serra da Estrela

Boulders Granito encostas de neve Serra da Estrela

Subida de montanha encosta de neve

Fotografia de Inverno na Serra da Estrela subida de encosta de neve

Auto-retrato Paulo Lopes e Hélio Cristóvão Inverno Camping montanha

“A manhã estava esplêndida mas o ar vivissimo. Na frescura d’aquella madrugada, denunciava-se perfeitamente […] a Serra da Estrella […] ligada ao céu por grossos rôlos de nimbos.”


11h30, tinhamos chegado à estrada entre a Torre e Lagoa Comprida.

 

 

Texto por Hélio Cristóvão

Citações: Emygdio Navarro, “Quatro dias na Serra da Estrela”, 1884

Fotografias por Hélio Cristóvão e Paulo A. Lopes

©2011 direitos reservados aos autores

 

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Madrugada na Serra do Alvão e Serra da Freita

Fotografia de Paisagem nas Serras de Portugal

Fotografar nas montanhas da Madrugada ao Pôr-do-Sol


Como faço as minhas fotografias de montanha? Que preparações e estudos prévios são necessários? E equipamento? Como observar a paisagem segundo o fotógrafo?

(Artigo publicado no portal Fotografia-DG em 13/05/2010)

Com este artigo pretendo partilhar alguma da minha experiência, fazendo chegar ao leitor o espírito da aventura neste estilo de fotografia, contemplado com matérias essenciais para o fotógrafo que pretende aventurar-se na montanha. Num formato de relato de viagem, em que sucessivamente se vão introduzindo dicas e muitos aspectos de fotografia de paisagem das serranias no Norte de Portugal, descubra a fotografia dos trilhos de aventura, e como faz as fotografias de montanha – o fotógrafo de Natureza Hélio Cristóvão.

Parque Natural da Serra do Alvão. Uma fotografia de longa exposição na madrugada mágica. Ao Sol Nascente, o pico da cordilheira montanhosa do Alvão ilumina-se por luz dourada, enquanto as nuvens coloridas

Fevereiro de 2010:

A madrugada começa a notar-se mais cedo na última quinzena de Inverno.

Viajei com o amigo fotógrafo Paulo Lopes, com partida de Lisboa às 2h00, havia mais de 400 quilómetros a percorrer até chegar às escarpas imponentes das montanhas perto de Ermelo e Varzigueto, onde corre ainda selvagem o Rio Olo. O destino seria fotografar a jusante das enormes cascatas que se despejam abruptamente num vale semelhante a um canyon de enormes proporções. Planeei mais uma viagem “relâmpago”, pois pretendia fotografar cascatas com os fortes caudais de Inverno, no ano em que se assistiu a uma quantidade atípica de chuva, num local que teria de ser desprovido de muita vegetação arbórea, as árvores caducas típicas de Serra nesta época estão despidas de folhagem. Assim, preferia um local de montanha de granito despido e áspero – um cenário selvagem de montanha. O local seria as Fisgas do Ermelo.

Entre os meus métodos de fotografia de paisagem, a preparação de viagens e o planeamento é fulcral. Embora seja praticamente impossível seguir um plano conciso para cada jornada, seja um dia ou uma semana, pois as condições de meteorologia podem variar bastante, assim como a duração prevista de permanência nos locais, convém traçar planos gerais incluindo os percursos, locais, e uma duração aproximada de fotografar em cada zona. Planeamento e objectivos são factores muito importantes quando se está em campo.

Neste estilo de fotografia em montanha, eis um resumo de preparações e recursos na Internet que habitualmente utilizo para as mesmas:

  • Meteorologia – trabalhar no exterior depende das condições atmosféricas, aqui não há novidade. Mas claro que inerente ao planeamento de qualquer jornada fotográfica, ainda para mais que implique grandes viagens, é importante boa informação sobre as condições previstas, e quanto mais detalhada essa informação melhor:
  • O site www.accuweather.com contém previsões a duas semanas na versão de uso livre. Muito detalhado, o estado do tempo com intervalos de hora a hora. Adicionalmente, poderá consultar dados astronómicos;
  • Complemento sempre a informação do website anterior com a do Instituto de Meteorologia Portuguesa www.meteo.pt.
  • Horários de nascer e Pôr-do-Sol, Fases e horas de nascer e ocaso da Lua – No terreno são as duas fontes de iluminação principal. Consulte informação precisa segundo os Almanaques publicados pelo Observatório Astronómico de Lisboa em www.oal.ul.pt/index.php?link=almanaques

Em termos de informação meteorológica e astronómica estamos assegurados. Mas a fotografia de paisagem, tal como eu a faço implica por vezes longas horas de estudo, com mais incidência na pesquisa segundo informação geográfica. Os SIGSistemas de Informação Geográfica – disponíveis online trouxeram grandes vantagens e um salto de tecnologia na observação e edição de dados geográficos. Entre interfaces na web e plataformas mais comuns está o aplicativo Google Earth:

Uso de software no planeamento de fotografia de paisagem. Google Earth com relevo tridimensional

  • O Google Earth é uma ferramenta muito poderosa. Tire o máximo partido do software, com visualização tridimensional de relevos, pesquise acessos, desde trilhos carreteiros a estradões em terra. Aponte coordenadas e introduza no GPS. Há um mundo de possibilidades a explorar para as jornadas em campo e orientação nesta abordagem à fotografia em montanha;
  • O Instituto Geográfico Português (I.G.P.) é o organismo responsável pela execução da política de informação geográfica nacional. Alguns recursos muito úteis para descarregar ou consultar na Internet:
  • Através do serviço m@pas online disponibiliza ao público, gratuitamente, um conjunto de serviços de dados geográficos, muito completo. Essencial no âmbitos dos SIG na Internet: http://mapas.igeo.pt/

Excertos de informação geográfica – Mapa de relevo e acessos e carta à escala 1:1 000 000 de Portugal Continental

Continuando em viagem…

Antes do Sol nascer, já estava a contemplar as montanhas da Serra do Alvão, no coração do Parque Natural. Observámo-las ainda sob a luz nocturna da madrugada. Em viagem, a altitudes superiores a 900 mt. atravessámos neve, junto à Serra do Marão, mas entretanto, a cotas mais baixas, era a chuva em direcção a Ermelo que combatia a motivação.

Uma “lição” importante para o fotógrafo de Natureza, independentemente da experiência, é não perder a motivação e continuar focado nos objectivos, mas ter em conta que nunca se deve ter expectativas demasiado altas. Nada é garantido neste estilo de fotografia em paisagem, e a taxa de sucesso de produção de grandes imagens é baixa. Pode se feita uma enorme viagem em tempo reduzido, mas simplesmente o cenário no destino pode não funcionar. A perspectiva é sempre o regresso. Por outro lado, é quase inevitável uma “baixa” de moral ao observar certas condições impróprias para a fotografia que se pretende fazer. Uma vez mais, há que continuar, pois como descrito abaixo, sob tempo instável, tudo pode mudar…

A chuva iria cessar em breve dando lugar, ainda sob o crepúsculo matinal, a céus instáveis, com nuvens rápidas a atravessar a Serra. Chega o momento de fotografar, estudar enquadramentos, compor neste ambiente místico, sob a luz de um novo dia na montanha. Avista-se neve em picos mais elevados e distantes. As condições de nevoeiro e céu denso conferem o dramatismo da Alvorada na paisagem. Durante o Sol que se ergue, ainda a grande bola dourada, brechas nas nuvens permitem atravessar a luz iluminando o pico virado a Nascente. A magia estava a acontecer. Sobe a adrenalina tentando compor o que se espera um momento de paisagem inesquecível. Eu opto por longas exposições de 15 a 30 segundos, captando arrastamentos de nuvens enquanto a montanha recebe luz.

Durante a manhã exploram-se as vertentes na margem direita do Rio Olo, a Montante e Jusante das cascatas. Os desníveis das cristas ao leito são vertiginosos, e mesmo assim, há a aproximação ao precipício para fotografar de tripé montado.

Parque Natural da Serra do Alvão. Espectacular vale, montanhas altas. É impossível transmitir a sensação de altura vertiginosa nesta imagem dimensionada para a web

No campo:

Nas circunstâncias em que foram feitas as fotografias anteriores, a qualquer momento a luz muda. É preciso estar preparado? Sim. Mas por vezes é muito difícil. Contemplar um local pela primeira vez e assistir a boa luz para fotografar, sem conhecer ainda os melhores enquadramentos e composições pode ser muito stressante. Há que manter a concentração e não a dispersão. Se é uma grande foto que procura, estude bem os enquadramentos. Se já tem um enquadramento que realmente agrada, pondere seriamente antes de desmontar o tripé se ainda não fez a foto. Insista, espere, pois em instantes, tudo pode mudar e transformar o cenário. Eu mencionei o tripé? Sim, todas as imagens que o leitor observa neste artigo (com a excepção da Cabra Montanhesa, abaixo) são feitas com uso de tripé.

Os trilhos:

Acrescente-se que os percursos pedonais que estes trilhos envolvem, são muito perigosos em certos locais, não havendo lugar para falhas. Os desníveis abruptos e piso molhado que estava na altura tornam iminente qualquer erro. Pondere a segurança. Deve levar vestuário e calçado apropriado, de montanha – quanto mais aderente melhor; e mais leve também. Máximo cuidado na aproximação dos precipícios, sobretudo com muito vento.

Equipamento:

Um breve resumo do equipamento na mochila apropriado para as fotografias aqui patentes: É uma questão onde muito há a dizer, mas nesta viagem em concreto, trabalhei com três objectivas, que normalmente constam no meu saco. São elas uma grande-angular de 12-24mm f/4, uma 24-70mm f/2.8 e 70-200mm f/2.8 VR (com duplicador 2x quando necessário). Este material, em conjunto com outros acessórios e excluindo o tripé implica peso acima de meia-dúzia de quilos às costas. Panos de limpeza, conjuntos de filtros, baterias extra, flash, cabo disparador, entre outros acessórios constam também nas profundezas da mochila.

Capra aegagrus hircus. Parque Natural da Serra do Alvão

A continuação da jornada. Esta viagem foi ambiciosa…

… e o plano era seguir ao fim da manhã em direcção à Serra da Freita,  concelho de Arouca, 140 Km para Sudoeste. Percorreu-se a EN224, a estrada é desgastante, mas chegámos à aldeia de Albergaria das Cabras para assistir à magnífica queda de água superior a 60 mt. que acontece na Frecha da Mizarela. Das maiores de Portugal. E da Europa. Apenas o caudal se diferenciava relativamente a condições de céu e vegetação de nada especiais, encostas despidas. Lá voltarei apenas no Outono para fotografar com maior beleza a alma do local.

Serra da Freita. Frecha da Mizarela. Cascata no Rio Caima com mais de 60 metros de altura

O desafio é grande e somos constantemente postos à prova, testando a capacidade de gerir a fotografia no pleno decorrer de escassos minutos que se revela nos momentos mágicos, transformando a paisagem. Prova superada? No total, 20 horas de viagem, 900 Km percorridos, e a experiência de luz inebriante nos cenários de Portugal mais remoto.

Muitas vezes os locais são visitados, mas muito raramente observados verdadeiramente em condições de luz mais especiais, que conferem dramatismo e enchem de emoção a paisagem. Nestas condições enquadra-se a luz da madrugada, ao nascer do dia, momentos em que foram executadas as primeiras fotos deste artigo. E é muitas vezes nestas condições que se podem obter resultados excepcionais na fotografia de paisagem natural. Nestas imagens, toda a cor e tonalidades são o mais aproximado possível do cenário real proporcionado pela luz disponível no momento, com alguns ajustes de contraste e vivacidade de cores próprios da edição de imagem e preparação para a publicação na internet.

Texto e fotografia por Hélio Cristóvão
©2010 direitos de autor reservados

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Fotografia artística de Natureza e Paisagem Natural

 Madrugada no Coração da Serra, 21 de Junho de 2009, 6h da manhã Lagoa do Peixão, Serra da Estrela Hélio Cristóvão Fotografia Paisagem Natural Portugal Montanha

Madrugada no Coração da Serra, 21 de Junho de 2009, 6h da manhã

No pico de cores da Primavera e na distinta data do Solstício de Verão de 2009, 3 fotógrafos portugueses, amigos e experientes em fotografia de Natureza e Paisagem, reúnem-se para ingresso ao coração da montanha da Serra da Estrela, com destino a uma das suas mais puras e místicas lagoas, pernoitando junto dela para fotografar a sua essência, nas reunidas condições de cor da Estação, ausência de vento, céu limpo e noite de duração mais curta no ano.

O alcance da Lagoa de Peixão fez-se através dos lagos de Chancas, nas proximidades da Torre. Em cerca de 1h30m, é necessário vencer um desnível de 200 metros, numa extensão de 1,5 km, descendo na proximidade da margem de uma linha-de-água, escarpada. Caminha-se por entre toda a biodiversidade que lhe é inerente, acompanhando sempre o recorte serrano de lajes escarpadas de enormes maciços de granito, por vezes densificando-se de vegetação de mata abundante em giesta e zimbro.

A lagoa é a maior de origem glaciar na serra e sendo de água nascente, a origem de água montante escoa para o majestoso Vale Glaciar da Candieira, que por sua vez é afluente ao caudal do Zêzere. Na harmonia do ecossistema lagunar, os aromas da primavera misturados com o som de aves e insectos que povoam o vale, a presença humana é tão ténue neste pedaço de Portugal, que as borboletas se deixam ficar, quase inertes nas plantas onde poisam. Elas deixam-se ser fotografadas. Ao entardecer, esta harmonia de natureza no seu estado mais puro atinge um clímax, típico da fronteira entre o dia e a noite. Aproxima-se o crepúsculo, onde a luz se revela de magia própria nestas altitudes, o Sol Poente rasa agora o horizonte, e a montanha, essa, recebe a graciosa luz quente – a última luz do dia, é tangente aos picos de montanha iluminando-a, os picos reflectem os tons intensos de amarelo a laranja, e de vermelho, até ao castanho. Um pequeno intervalo de luz mágica, um deleite para o fotógrafo que compõe com esta luz.

Voltaremos a ter esta luz, na próxima madrugada, desta vez, uma luz nascente do novo dia, quando os cumes montanhosos orientados a Este revelar-se-ão iluminados com as cores quentes. Mas até lá, há que atravessar a noite.

Helio Cristovao Stratrails Serra da Estrela Montanha Fotografia Estrelas Lagoa do Peixão Mountain Night Photography

Chega a hora de montar tendas, de restabelecer energias, de sentir a envolvência do profundamente encaixado do Covão do lago à altitude de 1675 mt. Um espaço idílico, tão remoto mas revigorante. Afinal, reflectindo por momentos, não se trata apenas da viagem ao coração da Serra, e à sua origem de águas nascentes, glaciares; Esta pode bem ser uma viagem de espírito, face a tal magnitude fica-se a cismar e sim, há o medo. Por breve que seja a sensação, há mais que não seja o resquício do medo, esse que desperta o instinto da natureza humana, instinto que outrora nos valeu nos muito remotos tempos de caça, de sobrevivência. O Covão é esmagador e faz cismar.
Na noite profunda, os fotógrafos captam a luz das estrelas. Com um grito, os ecos da voz do Homem ouvem-se 3 vezes em covões mais distantes, qual som a atravessar montanhas com a latência do tempo.

Não há silêncio nocturno. Da fauna, distingue-se a presença dos morcegos e o incansável chilrear das rãs no seu habitat. Algumas horas passam, 2 garrafas de Branco e um maço de Ventil ajudam a ultrapassar e anima a presença, enquanto se compõem fotografias do céu estrelado, durante essas horas consecutivas. Depois, tenta-se dormir.

Chegada a madrugada, às 4:30h observa-se já o azul suave da aurora. Antes de abraçar a luz do Sol do Novo dia, há que caminhar, para atempadamente reconhecer a margem de jusante do Lago, local esse o escolhido para obter fotograficamente os melhores enquadramentos virados para a montanha que receberá a primeira luz do Sol. Montados os tripés, cada autor ao seu estilo, assim o espírito ajude composição, chega a hora de sentir a adrenalina. O Sol nasce. A crista da montanha recebe a luz, a magia volta a acontecer. Mas desta vez, a essência está a ser gravada. A Natureza é uma dádiva, por instantes, o cenário não se trata apenas de um local magnífico, a Serra da Estrela torna-se… Poesia.

3 Fotógrafos de natureza crêem ter realizado história, num estilo de fotografia inusual em Portugal, mas que com sonho e empenho, se espera modificar tal quadro.

Com a técnica, talento, alguns quilos de equipamento e muita motivação, os fotógrafos criaram imagens únicas de enorme beleza e trouxeram uma mensagem do coração da Serra da Estrela: A natureza do nosso país é rica na proporção da nossa alma. Há que descobrir o nosso país, assim como a nossa alma.

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