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Filtros na fotografia digital – Parte 3

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 3

Filtro de Densidade Neutra

Filtros ND Neutral DensityO filtro de densidade neutra (‘ND‘, Neutral Density) existe em dois formatos: circular de rosca, ou quadrado para sobrepor à lente, com ou sem suporte adaptador (como por exemplo filtros de série profissional 100x100mm). O efeito é a redução de luz que atravessa para a objectiva, possibilitada por uma constituição de resinas (polyester) ou vidro de absorção, que corta luz na proporção da sua espessura. Há outra construção possível, sendo a combinação de vidro de absorção com revestimento de uma fina película metálica reflectora.

No primeiro caso, a atenuação realiza-se apenas no espectro de luz visível, existindo filtragem na gama UV, enquanto que no segundo, esse tipo de construção é mais permeavél a uma gama de luz mais ampla, incluindo raios UV, podendo desta forma promover melhores resultados na atenuação de luz.

Um bom filtro ND deve ser mesmo neutro, diminuindo luz em igual proporção para toda a gama visível. Por vezes os fabricantes não são muito explícitos quanto à constituição dos seus filtros de densidade neutra, mas por experiência própria, já utilizei filtros ND de igual intensidade, que embora sendo do mesmo fabricante, não facultam resultados consistentes, provocando dominantes de cor.

Estes filtros variam em intensidade de corte de luz desde 1 ponto de exposição (stop ou EV) até 4, 6 ou 8 pontos de exposição, sendo estes os mais utilizados. Existem no entanto filtros de densidade neutra mais “fortes”, entre eles o lançado em Março de 2010 pela Lee Filters – o “Big Stopper” (10 stop) – ou o disponível na Cokin, nº 156 (NDX), que corta 13 stop de luz!

 

À-de-Baracrim, Parque Natural da Costa Vicentina e SW. Alentejano. Com um filtro ND de 10stop, aumento o tempo de exposição a meio da tarde, para 1 minuto, a f/19 100ISO

A aplicação prática da diminuição da intensidade da luz traduz-se em maior flexibilidade na relação de abertura e tempo de exposição, independentemente de existir muita luz disponível. O objectivo é obturar em velocidades mais lentas, surgindo diversas aplicações possíveis:

  • Fotografar com velocidade mais baixa com plena luz do dia possibilitando efeitos de arrastamento, em folhagem, água ou nuvens, entre outros motivos; Por exemplo, em condições de luz do Sol a meio do dia um disparo resulta em velocidade aproximada de 1/125s, no entanto, com filtro 1.2 (4 stop) reduz-se a velocidade para 1/15s, própria para causar efeitos de movimento de água numa cascata, por exemplo;
  • Fotografia de retrato: quando há muita luz disponível, e mesmo assim se pretende fotografar com grande abertura, potenciando o desfoque de fundo na imagem, pode ser utilizado o filtro ND para minimizar o tempo de exposição e permitir a abertura necessária;
  • Longas exposições em fotografia urbana/arquitectura: para evitar a presença de pessoas numa imagem de arquitectura ao fotografar, por exemplo, num local turístico, pode-se optar por uma exposição longa de vários segundos, o resultado é o desvanecimento de pessoas, que serão suprimidas na fotografia;
  • Diminuição de luz em fotografia com flash com velocidades “baixas” de sincronização.

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. A utilização de um filtro ND permitiu expor a fotografia durante 20 segundos (f/19 400ISO), acentuando o efeito de movimento das ondas no mar

Mais considerações sobre filtros ND:

  • Máximo cuidado no manuseamento, pois riscam com facilidade;
  • Concebidos em vidro ou resina (polímeros), sem revestimento;
  • O filtro na minha mala é de factor 1.2, absorvendo 4 stop de luz, e já me deixa uma margem de manobra considerável, mas pretendo a aquisição de um filtro de factor ainda mais elevado;
  • Nem tudo é perfeito no uso do ND, e caso o filtro não seja mesmo neutro, a sobreposição com outro filtro ND (gradiente ou não) confere à imagem fortes dominantes de cor, geralmente magenta.

Uma tabela de conversão será útil ao leitor ao trabalhar com filtros ND em campo, na hora de calcular a exposição:

Velocidades de Obturação em função de redução de luz em Pontos de Exposição (Stop, EV)
Medição original do Exposímetro 1/250 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s
0.3 ou ND2 (1 stop) 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m
0.6 ou ND4 (2 stop) 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m
0.9 ou ND8 (3 stop) 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m
1.2 (4 stop) 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m 8m
10 stop (exemplo: Lee Big Stopper) 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m 8m 16m 32m 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m
ND10000 (13 stop) (exemplo: Cokin nº156) 30s 1m 2m 4m 8m 16m 32m 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m 17h 4m 1d 10h 8m 2d 20h 16m
ND1000000 (20 stop) 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m 17h 4m 1d 10h 8m 2d 20h 16m 5d 16h 32m 11d 9h 4m 22d 18h 8m 45d 12h 16m 91d 32m 182d 1h 4m 1 ano

 

Fazer o Download da Tabela de conversão de Filtros 'ND'

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Filtros na fotografia digital – Parte 2

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 2

Polarizador Circular

 

Antes de falar sobre o filtro polarizador, é importante uma breve introdução sobre a luz no domínio da física, para melhor compreender a utilização deste filtro.

A luz é constituída na sua essência por partículas elementares designadas fotões, que se propagam no espaço sob a forma de ondas electromagnéticas. Como radiação electromagnética, a luz tem três propriedades físicas básicas, sendo elas a amplitude (brilho), frequência (côr) e polarização (ângulo de vibração). A polarização da luz ocorre quando esta radiação, que se propaga no espaço tridimensionalmente (em todas as direcções), ao incidir numa superfície plana, se propaga em apenas um plano, devendo-se este efeito à capacidade refractora entre materiais diferentes – atmosfera e água, por exemplo.

O filtro polarizador tem a capacidade de deixar atravessar toda a luz tridimensional “pura” que oscila no espaço, mas atenuar selectivamente a luz polarizada que oscila entre planos do filtro. O filtro polarizador circular roda entre 2 anéis, alternando os planos onde atravessa luz, possibilitando o controle do efeito. Assim, rodando o anel para um plano diferente ao da luz polarizada, essa mesma luz será cortada/atenuada, sendo aplicado o princípio do ângulo de Brewster. O efeito do polarizador é potenciado em fotografia exterior com luz do Sol, fotografando a 90º do mesmo, ou seja, com o Sol à nossa direita ou esquerda (ângulos em que a luz é mais polarizada).

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. O uso de filtro polarizador num ângulo de 90º com o Sol potenciou a saturação natural de cores da paisagem

Em termos práticos, os efeitos do filtro polarizador traduzem-se no forte escurecimento do céu (onde este já é mais escuro, o céu é uma fonte de luz polarizada), controle ou eliminação de reflexos em superfícies como água e vidro, aumento de saturação e contraste aparente constituindo cores mais vivas e intensas.

Sempre que a água está presente, fotografando cascatas, em floresta, ou simplesmente uma folha, o uso do filtro polarizador, ao atenuar reflexos, transforma completamente as cores da fotografia. Mas à semelhança de qualquer outro filtro, a sua aplicação e o efeito estético que proporciona é uma decisão do fotógrafo.

Sanguine Water

Parque Nacional Peneda-Gerês, Portugal. Para obter esta imagem, foi utilizado o filtro polarizador de forma a minimizar o brilho da rocha que reflecte muita luz na película de água

Considerações sobre estes filtros:

  • Alteram a exposição diminuindo a quantidade de luz em média de 1 a 1,5 EV;
  • Podem interferir com a leitura de exposição (exposímetro da máquina fotográfica);
  • Quando usados em objectivas ultra grande-angular, testar o efeito de vinhetagem;
  • Não devem ser utilizados em fotografia de retrato – pele sem reflexos em tons tipo veludo;
  • Não controla reflexos em superfícies metálicas.
Leaf Spine

Pitões das Júnias, Parque Nacional Peneda-Gerês. O uso do polarizador numa folha humedecida permitiu saturar cores tornando-as muito vivas

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Filtros na fotografia digital – Parte 1

Na era da fotografia digital e do pós-processamento, quais os principais filtros a utilizar para os mais diversos fins? Um ensaio sobre filtros UV, Skylight, Polarizador e de Densidade Neutra. Ao detalhe, com  conselhos práticos e recomendações, o derradeiro artigo sobre filtros na era digital:

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

 

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

Parque Natural do SW Alentejano e Costa Vicentina. O uso de filtros pode ajudar a controlar a gama dinâmica em situações de elevado contraste, mantendo os tons naturais da cena

Uma regra que estabeleci na minha fotografia é: quanto menos vidro colocar à frente do vidro de lentes, melhor. Ou então coloco à frente bom vidro também. Na era digital de fotografia, o uso de filtros para correcção de dominantes do cor, equilíbrio de tons, e resumidamente todos aqueles que não interferem no efeito estético da composição – tal como controle de velocidade de obturação ou polarização – sofreram um decréscimo de utilização.

 

Parte 1

UV/Skylight

Apesar de não ser visível ao olho humano, o sensor digital, ou a película na máquina fotográfica são muito sensíveis à radiação Ultra-Violeta, responsável por dominantes de cor azulada em fotografia feita com luz Solar no exterior, ou perda de alguma definição por existência de neblina distante, frequente em cenários de montanha.

Embora a quantidade de radiação UV existente na atmosfera seja pequena relativamente ao espectro de luz visível, em cenários de neve, areia clara e água (paisagens com mar, lagoas, rios), deve ser utilizada filtragem UV, pois estes elementos reflectem intensamente raios nesta gama de radiação, por vezes com resultados que podem ser indesejáveis na fotografia.

Um bom filtro UV deve ser transparente à luz visível, e partindo deste princípio, poderá ser utilizado na maioria das suas fotografias, motivo pelo qual, aliado a um custo relativamente baixo, é utilizado normalmente como filtro protector de lentes.

O filtro Skylight é uma versão “colorida” do filtro UV, pois apesar de filtrar essa radiação, é geralmente dotado de uma pequena coloração rosa ou amarela para proporcionar tons ligeiramente mais quentes, cortando algum excesso de azul tendencialmente mais forte no céu.

Mantos de Neblina

"Mantos de Neblina", Serra da Estrela. Paisagens de montanha com as dominantes azuladas da neblina ao entardecer

Considerações sobre estes filtros:

  • Não alteram a exposição;
  • Possibilitam o controle de tons azuis do céu;
  • Filtram raios UV mas toda a luz visível deve passar;
  • Certos fabricantes de filme defendem que película mais moderna não é sensível à luz ultravioleta;
  • Filtros devem ser revestidos (‘multicoated’) para prevenção de reflexos e melhoria de contraste e definição, sobretudo na presença de fonte de luz forte ou em contra-luz (exemplo: frente ao Pôr-do-Sol);
  • Recomendados filtros de pequena espessura (3mm, exemplo Hoya Pro1D), sobretudo em objectivas ultra grande-angulares.
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