Tag Archives: Cabo da Roca

Fotografias Mágicas. Luz dourada na costa de Sintra

Multiple Exposure Nikon 70-200 f2.8 Helio Cristovao www.heliocristovao.net Wild Landscape Portugal

 

Arte natureza Fotografia é uma marca de Autor. Um projeto que nasceu há 5 anos e reflete a minha dedicação à fotografia de paisagens naturais em Portugal. Um percurso que me trouxe até esta imagem. Muitas vezes fotografei sozinho neste lugar. E por toda esta costa. Mas o passar do tempo só me veio ensinar que ainda há tanto para criar nestas paisagens!

Este é um trabalho que vem do coração. Simboliza a ligação do fotógrafo com o lugar, para com as ideias, talento e arte, captar e eternizar a sua essência. Este é um Pôr-do-Sol como tantos outros, céu limpo, e só a luz dourada transforma a paisagem. Mas não é preciso mais para fotografar momentos inspiradores.

 

Num momento da minha vida em que abraço novos projetos e trabalho, quero dedicar esta imagem aos fotógrafos que me tem acompanhado nestes últimos anos. Com quem cresci na fotografia, pela referência, inspiração, partilha, e acima de tudo: amizade. Como já tive oportunidade de dizer publicamente, tem sido um privilégio para mim, com o qual me sinto afortunado.

 

 

Foto: Agosto 2012

Praia selvagem no Cabo da Roca

Tripé. Teleobjetiva. Sem Edição. Efeito ‘dreamy’ com Múltipla exposição feita na câmara

 

Posted in Paisagem | Also tagged , , Leave a comment

Fotografia de Paisagem. A Pedra do Cavalo

Voltou a ser uma experiência indescritível, não só por pisar o território onde raramente pessoas vão, quase inacessível pelo recorte da falésia face ao mar, como por poder assistir e fotografar com uma luz mágica a paisagem selvagem e a arriba de granito a que chamaram ‘Pedra do Cavalo’:

Portugal Sintra Selvagem Cabo da Roca Mar Luz Dourada Helio Cristovao

Posted in Paisagem | Also tagged , Leave a comment

Fotografia ‘Alma do Mar’

Novidades. Estou a trabalhar em muitas, na parte da minha vida na fotografia de natureza. Parte delas contam com novas fotografias inéditas e nunca publicadas que vão estar por aqui em breve, juntamente com alguma remodelação desta casa… depois de certa ausência em fotos novas pelo site nos últimos tempos. Mas relativamente a este novo trabalho que faz parte do conjunto não o consigo aguentar mais sem o divulgar ao mundo.

Alma do Mar - Praia da Grota ao Guincho e Cabo da Roca Selvagem

Parque Natural Sintra-Cascais. Uma explosão de cores no céu ao Pôr-do-Sol, sob condições raras da quantidade de areia nesta praia, que não se verificava desde há anos.

O que posso dizer sobre esta fotografia? Apenas que ela significa tudo o que procuro ao fotografar paisagem natural, numa paixão continuada e projectos nunca acabados na costa do Cabo da Roca.

 
Se gostam do meu trabalho e se merece partilhem para divulgar:
 

Posted in Paisagem, Técnica de Fotografia | Also tagged , 2 Comments

O Cabo da Roca e a Janela de Tempo

Há vivências memoráveis na fotografia. Mais que isso, definem-nos. Definem um percurso, um estilo pessoal, a procura, as ambições, o querer ir mais além, atingir algo inédito.

 

Esta história passa-se no Cabo da Roca, e é sobre uma das praias selvagens (quase) inacessíveis por via terrestre (entenda-se, neste caso, escalada).

Em conversa com um pescador, a quem ajudei a libertar de um atascamento a sua lambreta pelos acessos às falésias, contou-me que há 11 anos que não desce aquela falésia que dá o acesso directo à praia, que envolve cordas, escada, mais corda, escalada e mais corda… É precisamente esta praia que há muito tempo eu intencionava ir.

Para mim, ela está no Top 3 dos sítios mais extremos/perigosos/selvagens do Cabo da Roca – a saber – Pedra de Alvidrar e Baía do Terramoto tem acessos que roçam o limite do impossível sem equipamento de escalada… mas os pescaladores fazem-nos ou fizeram-nos antigamente, com cordas, algumas ainda existentes, outras que desapareceram com a erosão das arribas.

Esta praia é envolvida por maciço calcário escavado pela erosão marítima que deu origem a cavernas gigantes, várias, são galerias subterrâneas à semelhança da falésia do Cavalo da Adraga, mas aqui em território que quase ninguém conhece, à excepção de pescadores, escaladores ou (talvez) espeleólogos.

 

Não é um local para qualquer um; quantas pessoas tão pouco ousavam a aproximar-se do inicio de um trilho na ravina de três dezenas de metros de altura, para percorrer um carreiro da largura de dois pés juntos e com cordas à mistura para escalar desníveis em plena escarpa sobre um mar revolto lá em baixo? O que o tempo e a experiência me têm ensinado é que não há assim tantos impossíveis, apesar das falésias vertiginosas. Os pescadores têm traçado os seus caminhos e acessos há décadas.

O meu propósito para aceder ao local desde há anos para cá, sem descer directamente a falésia, requer condições verdadeiramente inéditas. Mas é possível. E até por Norte ou Sul!

Durante esta semana, ocorreu uma das marés mais baixas de todo o ano, sob a influência de ondulação fraca, que permite que o mar recue muito para além do habitual. Simultaneamente, uma grande quantidade de areia que não se tem verificado desde há vários anos, estendia um tapete entre a Pedra da Ursa, a Gigante e a Pedra de Alvidrar. Isto são condições raras e muito específicas, e precisamente abre a oportunidade – uma pequena janela de tempo – onde eventualmente será possível contornar o sopé das arribas e aceder aos locais mais improváveis, vedados pelo mar quase todo o ano. Mas só durante uma manhã isto aconteceu, aliás só durante uma hora ou pouco mais.

Fui com o Paulo Lopes, e tivemos a nossa oportunidade. Mas em certo ponto da travessia pela base da ravina, a areia estava mais cavada, e fazia um fundão…

Sim, eu sei, parecia inacreditável atravessarmos a nado. Atravessámos. É manhã, é frio, é a paisagem remota e rigorosa do Cabo da Roca. Mas é onde a pedra e o mar conjecturaram um paraíso muito próprio. E pisámos aquele chão da Praia do Caneiro.

 

Por um lado sente-se a vitória e a conquista, como um novo mundo que se descobre, novas realidades, por outro a frustração. Na passagem do fundão não conseguimos levar equipamento fotográfico.

A janela de tempo fechou-se. No dia seguinte, em que teoricamente a maré seria igualmente baixa, voltei às falésias. A areia ainda lá estava… Mas as ondas eram altas. E voltava a ter o acesso impossível.

 

Gostou do artigo? Partilhe e dê-o a conhecer aos amigos!

Posted in Paisagem, Reportagem | Also tagged , , Leave a comment

Vida marinha nocturna no Espigão das Ruivas

O seguinte portolio de fotografia resulta de sessão nocturna no litoral do Parque Natural Sintra Cascais, uma baía selvagem de escarpas imponentes que atingem 30 metros de altura, recortadas a pique até ao nível do mar.

Entre arribas ainda existem vestígios de antigas casas em ruínas, que testemunham outras épocas de pescadores que ali habitavam. Descendo por um vale que se precipita em cascata com as chuvas do Inverno, alcança-se a baía; enormes rochedos separados do maciço granítico formam vários pináculos ao largo da enseada, aqui a maresia é tão intensa e a paisagem idílica.

Cabo da Roca selvagem Pôr-da-Lua

A lua em quarto crescente aparecia ténue acima do horizonte com as cores do crepúsculo, o ocaso da lua seria cerca das 22h.

Após o Pôr-da-Lua a escuridão quase total, sem nuvens no céu que são tecto reflector da iluminação dos povoados, apenas um brilho se mostra por cima das altas paredes rochosas, e vem de Sul.

A maré vazante já deixava contornar uma falésia alcançando uma outra baía separada pela zona de marés. E é precisamente nesta área que se revelam as piscinas de maré baixa abundantes em vida marinha; pelas 23h30 ocorria uma baixa-mar de 0,50 mt e um novo mundo se descobre na noite.

É de facto uma das marés mais baixas que ocorrem mensalmente nas fases de Lua nova, e é já bastante baixa considerando a amplitude da maré durante todo o ano.

A técnica de fotografia que utilizei na total escuridão, uma mão que agarra a pequena lanterna e ilumina o motivo, ao mesmo tempo que faz zoom e foco na objectiva, e com a outra mão controlo a câmara fotográfica. Toda a luz para obtenção destas fotografias recorre ao uso de flash externo, que pode ser utilizado em bounce flash, wireless remoto para luz lateral, e com o uso de filtros ou não.

A excepção é a primeira fotografia das pedras roladas, obtida manualmente pela sobreposição de duas fotografias (duas exposições consecutivas de 20 segundos) directamente no software da câmara fotográfica; em todas as imagens a edição digital é mínima, os resultados são praticamente os obtidos directamente no acto de fotografar.

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Cabo da Roca vida marinha baía selvagem

Com a subida da maré e após algumas horas a fotografar surgem nuvens que reflectem tons vermelhos nas falésias. É hora de regressar à enseada a Norte antes que o mar suba tal que impeça a passagem. E reunir forças para a subida do trilho que me trouxe e ao Paulo Lopes, o meu companheiro desta jornada, afinal temos para cima de 150 metros de desnível até chegar  ao ponto de partida…

Paulo Lopes e Helio Cristovao Cabo da Roca

 

 

Posted in Reportagem | Also tagged , , , , Leave a comment

Livros de fotografia de autores portugueses

Uma selecção pessoal de livros de fotografia em Portugal que influenciaram o meu estilo fotográfico, em agradecimento, dedicatória e o meu contributo aos autores, que pela realização destas obras trouxeram inspiração ao meu percurso na fotografia de natureza e paisagem natural.

 

Ficam as minhas recomendações e análises, assim como a consideração pelos autores:

 

Posso dizer que o livro o Cabo da Roca de José Romão (1998) em muito contribuiu na definição da minha filosofia a fotografar no Cabo da Roca e na abordagem dos vários motivos. É de assinalar o meu enorme apreço e admiração por esta obra; Conhecendo os meus textos e projectos, a relação da aventura com as paisagens costeiras parece ser inconfundível com o que J. Romão percorre desde a década de ’80. E, apesar do livro ter um enquadramento temporal, sendo toda a fotografia feita em filme, continua em minha opinião a servir de grande inspiração com trabalhos admiráveis e não menos surpreendentes.

 

Sintra – 7 anos numa ilha por Emídio Copeto Gomes e Gustavo Figueiredo (2007) veio trazer uma nova definição na fotografia produzida e publicada sobre as paisagens naturais e património cultural da serra de Sintra e o litoral. Os textos, histórias, ciência e misticismo reunem-se nesta obra bastante completa de elevada qualidade fotográfica, fruto de trabalho insistente e continuado de 7 anos a fotografar no Parque Natural Sintra-Cascais.

 

Lugares Pouco Comuns de João Mariano (2000) tem imagens revelam um grande sentido de composição no meio selvagem, num estilo que varia entre o artístico/registo documental com forte interpretação pessoal e dramatismo, e muita insistência nos detalhes – rochas, formas e texturas – fotografados a preto-e-branco em grande contraste. Sem dúvida, um livro no estilo de fotografia muito próximo do que eu procuro na Costa Vicentina, uma obra de textos e fotografia muito inspiradora.

 

Quatro dias na Serra da Estrela por Emygdio Navarro (1884), embora contendo fotografia documental da época, é um relato de percursos nas montanhas da Serra da Estrela no ãmbito de uma expedição científica relacionada com a medicina. Registos preciosos e uma leitura essencial a quem nutre enorme admiração por essas montanhas.

 

Cabo da Roca Capa Livro Jose Romao
Cabo da Roca – Imagens do lugar mais ocidental do Continente Europeu (1998) por José Romão

Formato: 31 x 23,5 cm (48 páginas, 39 fotografias)

«Este livro leva-o numa viagem a um lugar fascinante e pouco acessível, num trilho de Natureza na rota das rochas do Cabo da Roca, dobrando-o de sul para norte. Este é um estudo de fotografia de Natureza, das diferentes condições que se deparam ao fotógrafo das paisagens selvagens da orla marítima, e das maneiras possíveis de as abordar, reflectidas na variedade de situações e de estilos presentes nesta colecção de imagens».

«O livro fala de histórias do passado, de piratas, ribeiros que se despejam em cascatas sobre as praias, piscinas naturais de ouriços do mar, plantas que só existem neste local. Expõe as ameaças ambientais a este lugar idílico e lança um grito de alerta para a protecção urgentíssima duma espécie em extinção».

 


Joao Mariano Costa Vicentina Lugares Pouco Comuns
Lugares Pouco Comuns (2000), por João Mariano

Formato: 23 x 23 cm

Fotografia de João Mariano

Textos de João Mariano (Lugares pouco comuns) e Pedro Cuiça (Costa Vicentina – Terra, mar e imensidão)

Projecto sobre geomorfologias e aspectos cénicos da Costa Vicentina. Um percurso pelas escarpas de um dos mais preservados litorais da Europa: a costa ocidental do Algarve.

 


Livro Sintra 7 anos numa ilha
Sintra – 7 anos numa ilha (2007) por Emídio Copeto Gomes e Gustavo Figueiredo

Formato: 27 x 21,5 cm

«…Sintra é maior do que o seu espaço geográfico. Nela, nada é produto do estéril e superficial campo da fantasia. Nesta terra cintilante e fecunda, tudo está ali para ser apercebido como um outro plano do Real».

«Este livro de fotografias de Sintra ilustra esta imagem de reino celestial que os autores do livro pretendem passar. Os autores convidam o leitor a uma viagem ao interior de cada um de nós, procurando assim descobrir o que está por detrás de toda e qualquer paisagem, em particular a de Sintra».

 


4 dias na serra da Estrela notas de um passeio
Quatro dias na serra da Estrela: notas de um passeio (1884) Emygdio Navarro

194 páginas

«Interessantíssimos apontamentos de viagem na serra da Estrela, ilustrados com um retrato do autor e vários aspectos da serra, feitos a partir de fotografias originais».

 
 

 


Posted in Livros | Also tagged , , , , Leave a comment

Filtros na fotografia digital – Parte 3

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 3

Filtro de Densidade Neutra

Filtros ND Neutral DensityO filtro de densidade neutra (‘ND‘, Neutral Density) existe em dois formatos: circular de rosca, ou quadrado para sobrepor à lente, com ou sem suporte adaptador (como por exemplo filtros de série profissional 100x100mm). O efeito é a redução de luz que atravessa para a objectiva, possibilitada por uma constituição de resinas (polyester) ou vidro de absorção, que corta luz na proporção da sua espessura. Há outra construção possível, sendo a combinação de vidro de absorção com revestimento de uma fina película metálica reflectora.

No primeiro caso, a atenuação realiza-se apenas no espectro de luz visível, existindo filtragem na gama UV, enquanto que no segundo, esse tipo de construção é mais permeavél a uma gama de luz mais ampla, incluindo raios UV, podendo desta forma promover melhores resultados na atenuação de luz.

Um bom filtro ND deve ser mesmo neutro, diminuindo luz em igual proporção para toda a gama visível. Por vezes os fabricantes não são muito explícitos quanto à constituição dos seus filtros de densidade neutra, mas por experiência própria, já utilizei filtros ND de igual intensidade, que embora sendo do mesmo fabricante, não facultam resultados consistentes, provocando dominantes de cor.

Estes filtros variam em intensidade de corte de luz desde 1 ponto de exposição (stop ou EV) até 4, 6 ou 8 pontos de exposição, sendo estes os mais utilizados. Existem no entanto filtros de densidade neutra mais “fortes”, entre eles o lançado em Março de 2010 pela Lee Filters – o “Big Stopper” (10 stop) – ou o disponível na Cokin, nº 156 (NDX), que corta 13 stop de luz!

 

À-de-Baracrim, Parque Natural da Costa Vicentina e SW. Alentejano. Com um filtro ND de 10stop, aumento o tempo de exposição a meio da tarde, para 1 minuto, a f/19 100ISO

A aplicação prática da diminuição da intensidade da luz traduz-se em maior flexibilidade na relação de abertura e tempo de exposição, independentemente de existir muita luz disponível. O objectivo é obturar em velocidades mais lentas, surgindo diversas aplicações possíveis:

  • Fotografar com velocidade mais baixa com plena luz do dia possibilitando efeitos de arrastamento, em folhagem, água ou nuvens, entre outros motivos; Por exemplo, em condições de luz do Sol a meio do dia um disparo resulta em velocidade aproximada de 1/125s, no entanto, com filtro 1.2 (4 stop) reduz-se a velocidade para 1/15s, própria para causar efeitos de movimento de água numa cascata, por exemplo;
  • Fotografia de retrato: quando há muita luz disponível, e mesmo assim se pretende fotografar com grande abertura, potenciando o desfoque de fundo na imagem, pode ser utilizado o filtro ND para minimizar o tempo de exposição e permitir a abertura necessária;
  • Longas exposições em fotografia urbana/arquitectura: para evitar a presença de pessoas numa imagem de arquitectura ao fotografar, por exemplo, num local turístico, pode-se optar por uma exposição longa de vários segundos, o resultado é o desvanecimento de pessoas, que serão suprimidas na fotografia;
  • Diminuição de luz em fotografia com flash com velocidades “baixas” de sincronização.

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. A utilização de um filtro ND permitiu expor a fotografia durante 20 segundos (f/19 400ISO), acentuando o efeito de movimento das ondas no mar

Mais considerações sobre filtros ND:

  • Máximo cuidado no manuseamento, pois riscam com facilidade;
  • Concebidos em vidro ou resina (polímeros), sem revestimento;
  • O filtro na minha mala é de factor 1.2, absorvendo 4 stop de luz, e já me deixa uma margem de manobra considerável, mas pretendo a aquisição de um filtro de factor ainda mais elevado;
  • Nem tudo é perfeito no uso do ND, e caso o filtro não seja mesmo neutro, a sobreposição com outro filtro ND (gradiente ou não) confere à imagem fortes dominantes de cor, geralmente magenta.

Uma tabela de conversão será útil ao leitor ao trabalhar com filtros ND em campo, na hora de calcular a exposição:

Velocidades de Obturação em função de redução de luz em Pontos de Exposição (Stop, EV)
Medição original do Exposímetro 1/250 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s
0.3 ou ND2 (1 stop) 1/125 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m
0.6 ou ND4 (2 stop) 1/60 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m
0.9 ou ND8 (3 stop) 1/30 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m
1.2 (4 stop) 1/15 1/8 1/4 1/2 1s 2s 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m 8m
10 stop (exemplo: Lee Big Stopper) 4s 8s 15s 30s 1m 2m 4m 8m 16m 32m 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m
ND10000 (13 stop) (exemplo: Cokin nº156) 30s 1m 2m 4m 8m 16m 32m 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m 17h 4m 1d 10h 8m 2d 20h 16m
ND1000000 (20 stop) 1h 4m 2h 8m 4h 16m 8h 32m 17h 4m 1d 10h 8m 2d 20h 16m 5d 16h 32m 11d 9h 4m 22d 18h 8m 45d 12h 16m 91d 32m 182d 1h 4m 1 ano

 

Fazer o Download da Tabela de conversão de Filtros 'ND'

Posted in Técnica de Fotografia | Also tagged , , , , Leave a comment

Filtros na fotografia digital – Parte 2

  • Parte 1 – Filtro UV e Skylight
  • Parte 2 – Filtro Polarizador Circular
  • Parte 3 – Filtro de Densidade Neutra

“Os filtros são úteis. Ou inúteis. Apenas depende da finalidade para a qual os está a usar.” Tom Hogan

Esta sentença resume bem a abordagem ao uso de filtros que o leitor conhecerá nesta série de artigos. Então o que se passa afinal no mundo dos filtros na era digital? Quando se deve utilizar certo tipo de filtros, quais os efeitos e as possibilidades? Qual o filtro a usar para protecção das lentes?

 

Parte 2

Polarizador Circular

 

Antes de falar sobre o filtro polarizador, é importante uma breve introdução sobre a luz no domínio da física, para melhor compreender a utilização deste filtro.

A luz é constituída na sua essência por partículas elementares designadas fotões, que se propagam no espaço sob a forma de ondas electromagnéticas. Como radiação electromagnética, a luz tem três propriedades físicas básicas, sendo elas a amplitude (brilho), frequência (côr) e polarização (ângulo de vibração). A polarização da luz ocorre quando esta radiação, que se propaga no espaço tridimensionalmente (em todas as direcções), ao incidir numa superfície plana, se propaga em apenas um plano, devendo-se este efeito à capacidade refractora entre materiais diferentes – atmosfera e água, por exemplo.

O filtro polarizador tem a capacidade de deixar atravessar toda a luz tridimensional “pura” que oscila no espaço, mas atenuar selectivamente a luz polarizada que oscila entre planos do filtro. O filtro polarizador circular roda entre 2 anéis, alternando os planos onde atravessa luz, possibilitando o controle do efeito. Assim, rodando o anel para um plano diferente ao da luz polarizada, essa mesma luz será cortada/atenuada, sendo aplicado o princípio do ângulo de Brewster. O efeito do polarizador é potenciado em fotografia exterior com luz do Sol, fotografando a 90º do mesmo, ou seja, com o Sol à nossa direita ou esquerda (ângulos em que a luz é mais polarizada).

Cabo da Roca, Parque Natural Sintra-Cascais. O uso de filtro polarizador num ângulo de 90º com o Sol potenciou a saturação natural de cores da paisagem

Em termos práticos, os efeitos do filtro polarizador traduzem-se no forte escurecimento do céu (onde este já é mais escuro, o céu é uma fonte de luz polarizada), controle ou eliminação de reflexos em superfícies como água e vidro, aumento de saturação e contraste aparente constituindo cores mais vivas e intensas.

Sempre que a água está presente, fotografando cascatas, em floresta, ou simplesmente uma folha, o uso do filtro polarizador, ao atenuar reflexos, transforma completamente as cores da fotografia. Mas à semelhança de qualquer outro filtro, a sua aplicação e o efeito estético que proporciona é uma decisão do fotógrafo.

Sanguine Water

Parque Nacional Peneda-Gerês, Portugal. Para obter esta imagem, foi utilizado o filtro polarizador de forma a minimizar o brilho da rocha que reflecte muita luz na película de água

Considerações sobre estes filtros:

  • Alteram a exposição diminuindo a quantidade de luz em média de 1 a 1,5 EV;
  • Podem interferir com a leitura de exposição (exposímetro da máquina fotográfica);
  • Quando usados em objectivas ultra grande-angular, testar o efeito de vinhetagem;
  • Não devem ser utilizados em fotografia de retrato – pele sem reflexos em tons tipo veludo;
  • Não controla reflexos em superfícies metálicas.
Leaf Spine

Pitões das Júnias, Parque Nacional Peneda-Gerês. O uso do polarizador numa folha humedecida permitiu saturar cores tornando-as muito vivas

Posted in Técnica de Fotografia | Also tagged , , , Leave a comment

Cabo da Roca – Dia Europeu de Parques Naturais

Dia 24 de Maio, celebra-se o Dia Europeu de Parques Naturais (EUROPARC Federation). Por forma a assinalar este dia, preparei uma colecção de trabalhos, alguns mais antigos, outros mais recentes mas nunca antes publicados, ora fotografias no campo artí­stico ou mais documental, sendo que todas realizadas no Parque Natural onde desenvolvo mais actividade: Sintra-Cascais. Mais concretamente, o Cabo da Roca. Os motivos: as cascatas, granito e líquenes, arribas, grutas, Pôr-do-Sol e Pôr-da-Lua, crepúsculos da madrugada e da tarde, a flora marinha e as cores da Primavera.

 

O Crepúsculo nocturno na Malhada do Louriçal, 2008

Em 2009, escrevi sobre o Cabo da Roca:

«O Cabo da Roca tem a importância geográfica e o misticismo que lhe é inerente do inevitavelmente sempre citado local mais ocidental do Continente Europeu.
Quanto mais conheço desta área costeira, mais vontade tenho de lá voltar e fotografar, procurar melhor luz, estudar o assunto e ligar-me a essa Natureza, essa outra realidade costeira e selvagem.

A orla costeira está sempre a mudar, seja o ciclo natural dos seres vivos ao longo do ano, ou a quantidade de areia deslocada nas praias e enseadas, ou os calhaus rolados nas zonas de marés que se arrastam à força da água e modelam as baías. O Cabo da Roca nunca pára de me surpreender. Já o havia citado o Autor Português J. Romão, no livro fotográfico editado em 1998 sobre o local. As possibilidades fotográficas são inesgotáveis.
Mas os verdadeiros segredos deste litoral são conhecidos por quem nestes trilhos e rochas há mais anos caminha e permanece. Pescadores de elite, aventureiros fortemente ligados ao mar. Eles nomeiam locais sem nome, rochas e pesqueiros. Sobem por escadas de corda cravadas em rochedos e arribas, descem essas arribas imponentes com o auxílio de cordas com o perigo iminente de não haver uma segunda oportunidade. Desafiam as falésias com destino a locais que parecem acessíveis apenas na imaginação do Homem.

Fotografar no Cabo da Roca é um projecto nunca acabado. É um local com forte magnetismo que nos impele pela sua força – de passagem para o Atlântico – pela grandeza e aspereza das arribas e rochedos magníficos e biodiversidade que nelas habitam. É um local mágico».

3885-web-650p.jpg5164-qual90-750pix-srgb.jpg6112-qual90-750p-sRGB.jpg638--WEB-sRGB-QUAL77-710pixel.jpg6891-Cabo-da-Roca-sRGB-8-bit-720-PIX-VERSAO-RECENTE.jpg7081-web-650pix-q85.jpg7105-WEB-sRGB-Qual77-750p.jpg8058-web-700p.jpg8156-QUAL90-sRGB-750pix.jpg8241-web-700p.jpg9297-web-700p.jpg9413-web-670pix-sRGB.jpgBlend-Abano-selvagem-6128-WEB-700PIX.jpgoriginal-estrela.jpgStone-Temple.jpgVER2-Conversao_1_HDR-WEB700p-Q85.jpg

Passados 2 anos, o que mudou para além da persistência, foi a procura de ainda mais, a procura de novas composições e novos desafios, novas interpretações. Este local continua a exercer sobre mim uma busca continuada na fotografia. Quanto mais se aprende sobre ele, mais se verifica que ainda muito há a fazer – numa dimensão de fotografia apenas proporcional à criatividade.

 

Fica o álbum:
(Adobe Flash Player necessário)

2828-web-700p.jpg3885-web-650p.jpg5164-qual90-750pix-srgb.jpg6112-qual90-750p-sRGB.jpg638--WEB-sRGB-QUAL77-710pixel.jpg6891-Cabo-da-Roca-sRGB-8-bit-720-PIX-VERSAO-RECENTE.jpg7081-web-650pix-q85.jpg7105-WEB-sRGB-Qual77-750p.jpg8058-web-700p.jpg8156-QUAL90-sRGB-750pix.jpg8241-web-700p.jpg9297-web-700p.jpg9413-web-670pix-sRGB.jpgBlend-Abano-selvagem-6128-WEB-700PIX.jpgoriginal-estrela.jpgStone-Temple.jpgVER2-Conversao_1_HDR-WEB700p-Q85.jpg

 

Se gostou deste artigo, ajude a divulgar e a passar a mensagem.

The European Day of Parks was launched by the EUROPARC Federation with the aim of raising the profile of Europe’s protected areas and generating public support for their aims and work“.

Posted in Reportagem | Also tagged , , , , , Leave a comment

O Adeus da Pedra da Ursa

Praia da Ursa… Quem a viu pela 1ª vez e não sentiu o esmagamento pela dimensão das suas pedras, das arribas, cascatas e vida selvagem, uma porção de paraíso ao largo do Cabo da Roca, um tesouro das suas paisagens selvagens, a ‘pérola’ do litoral Sintrense.
"A promessa de Luz" - Praia da Ursa, Inverno de 2010

"A promessa de Luz" - Praia da Ursa, Inverno de 2010

Quando recebi a notícia do desmoronamento da ‘Ursa do Norte’ só me lembrei de tudo o que não fiz em fotografia com esta Pedra mítica. E foi com tristeza que caí na realidade que essa possibilidade desapareceu para sempre…

 

Inesquecível, o momento em que conheci a Praia da Ursa e a sua pedra ícone, ainda a meia falésia pelos trilhos contemplava esta Titã, e a sua imponência, monolito gigânteo que ostentava 100 metros de altura, formado por invulgares geologias, talhado pelas erosões na incursão calcária nos maciços graníticos dos contrafortes litorais, de formas delicadas e grande beleza, fotogénica, mas evidenciando toda a rudeza selvagem da Roca… A partir desse momento, a praia da Ursa e a sua Pedra conduziram na minha carreira fotográfica de paisagem natural um importante destino, ao qual regressei inúmeras vezes para lá estar e para fotografar – entre o entardecer, várias madrugadas, algumas pernoitas, crepúsculos e nocturnos. É um local singular em Portugal.

A 28 de Abril, regressei para verificar o estado do rochedo. Foi uma visão tanto triste, como inquietante, como inevitável, a modelação da paisagem à força da natureza. E aconteceu nesta geração, o desabamento da Grande Ursa, que à vista se encontra erodida, nas suas faces e de aspecto frágil tanto pelos deslizamentos no rochedo como pela íngreme forma do pico restante.

A nova Ursa... a partir de 23 de Abril de 2011

Gaivotas sobrevoado o pico do rochedo, dão certa noção de escala...

A composição "clássica" de um miradouro privilegiado

A erosão no pico da Pedra da Ursa, fragilizado, parecendo que pode não faltar muito para tombar a qualquer instante

Os detritos depositaram-se no arco "túnel" dos escaladores. O "Portal Cósmico"

Como se fala desta pedra? Desta praia e desta paisagem? A Praia da Ursa inspirou artistas ao longo dos tempos, são sobretudo conhecidas várias obras de pintura desde há um século atrás. Desde a antiguidade, persiste a “Lenda da Pedra da Ursa”:

«Um par de enormes rochedos emergem da água, a norte da Praia da Ursa, mesmo junto a essa, evocando a primeira enorme rocha em seu perfil, a imagem de um urso altivo.

A lenda diz que há muitos milhares de anos, quando a terra era uma enorme bola coberta de gelo, aqui vivia uma ursa com os seus filhos. Quando o degelo começou, os Deuses disseram a todos os animais para abandonarem a beira-mar, mas a ursa não o fez, pois ali tinha nascido e ali queria ficar.

Os Deuses enfurecidos transformaram a ursa em pedra e os seus filhos em pequenas rochas dispersas à volta da mãe, que ali para sempre ficaram dando assim o nome à praia – Praia da Ursa.»

Os Pináculos a Sul que delimitam a Enseada da Palaia... intactos e sempre imponentes

As cores do mar e a gaivota em busca do alimento

Outra lenda bem menos conhecida conta como terá sido realizada a primeira ascensão da Ursa:

«Há bastantes anos (menos do que milhares, com segurança), num raro dia de mar calmo, um pescador solitário atracou o seu pequeno barco junto ao flanco oeste do rochedo. Contornou a torre pelo anel da rampas mais suaves transportando um estranho e volumoso objecto debaixo dos braços. Destrepou a arriscada vertente de terra e pedras, chegando ao borde da face leste e esgueirou-se sobre o precipício de uns 25 metros. Duas grandes estacas foram cravadas entre pedras e uma enorme escada construída com ripas de madeira e cordas foi lançada ao vazio. Estava aberto o portal de acesso para a Ursa.

Pouco tempo depois, o mesmo homem resolveu subir até ao cume do rochedo. Procurou a secção de parede que lhe parecia ser a linha de mais fácil ascensão e lançou-se à aventura, em solo e por entre blocos decompostos. A emocionante escalada finalmente terminou e, o pescador pôde respirar fundo e apreciar a vista tão inebriante, tão sublime.

Levou a mão ao bolso e retirou um punhado de moedas. Utilizando uma pedra martelou algumas moedas em finas fissuras dos rochedos do topo, como uma espécie de oferenda a um qualquer Deus que o permitira sobreviver à arriscada ascensão.

Alguns minutos depois voltou a descer, “a pêlo”, ou com a ajuda de uma velha corda (dependendo da versão adoptada).

Após essa primeira vez, o homem foi voltando periodicamente ao rochedo da Ursa, aproveitando a maré vazia e subindo pela fantástica escada de cordas, dirigindo-se ao lado oeste da formação, onde a rebentação anuncia a melhor pescaria.

De quando em vez, enquanto esperava que a maré voltasse a vazar, antes que a Pedra da Ursa deixasse de ser ilha, o pescador voltava a escalar até ao topo, para apreciar as vistas, para viver uma nova aventura. Sempre que o fazia, deixava a sua oferenda de moedas, cravadas nas mais altas rochas que lograva alcançar.

Hoje em dia, cada vez que visitamos a praia da Ursa, podemos apreciar a incrível escada de cordas que os pescadores locais costumam utilizar. E, se nos atrever-mos a escalar até ao cimo, ali estão as moedas cravadas, desde os tempos dos escudos. Fábula ou realidade?»

Fonte: Blog «Rocha podre e pedra dura», artigo por Paulo Roxo

Ainda que com a luz dura do Sol da tarde, há lugar a composições mais abstractas e criativas tendo o mar como motivo

Primavera costeira e a vida desta praia selvagem

Como se fala desta praia? É simbólica, as suas pedras colossais, pesqueiros, cordas, escadas, cabanas e trilhos escarpados, os dos pescadores, que persistem desde os antigos. É uma praia especial para cada um de nós, que com ela se liga numa natureza idílica, que tem tudo o que de espirituoso significa o encontro do ser com a terra, com a paisagem… uma paisagem quase “lunática” como alguém disse.

 

Notícias e ligações:

“O Despertar e Último Momento da Praia da Ursa”

“Os arcos da Praia da Ursa”

“A Natureza continua a moldar a imagem da Praia da Ursa”

Texto e fotografia: ©Hélio Cristóvão

Posted in Reportagem | Also tagged , , , , , , Leave a comment